A ATEA (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos) teve a sua polêmica campanha que visava combater o preconceito ao ateísmo barrada antes mesmo de ser veiculada.
A propaganda seria exibida nos ônibus de Salvador e Porto Alegre e não aconteceu pelo temor de repercussão negativa. De acordo com nota publicada no site da ATEA (www.atea.org.br), a empresa responsável pela veiculação na capital baiana entrou em contato com a entidade informando que não iria cumprir o contrato assinado com ela, temendo ação do Estado e dos empresários de ônibus. A ATEA informou que estuda ação legal.
Além disso, de acordo com o site, a Agência de Transportes Públicos em Porto Alegre vetou a campanha local sob argumento de que infringe uma lei municipal que veta temas religiosos na publicidade de ônibus. A ação aconteceria em 10 ônibus em Porto Alegre, financiados por um único doador paulista, e 5 ônibus em Salvador, financiados com recursos da entidade e outros doadores. Na sexta-feira (10/12) a repercussão foi grande. Ganhou destaque em vários portais e jornais ao passo que também gerou polêmica.
A ATEA afirma que a campanha "não procura fazer desconversões em massa". Diz que os objetivos são "conseguir um espaço na sociedade que seja proporcional aos números, diminuindo o enorme preconceito que existe contra ateus, e caminhar rumo à igualdade plena entre ateus e teístas, que só existe quando o Estado é verdadeiramente laico - o que está muito, muito longe de acontecer".
De acordo com a ATEA, o lançamento da campanha ocorreu pouco depois de o Ministério Público Federal ajuizar ação civil pública contra o jornalista José Luiz Datena (Rede Bandeirantes) pedindo retratação de suas afirmações ofensivas contra ateus.
A Associação afirma que as iniciativas de autoridades públicas em defesa dos ateus, embora tenham sido provocadas pela ATEA e outros ateus, são inéditas no país e "constituem marcos importantes na luta por direitos". Recentemente, a Atea exerceu direito de resposta em dois grandes jornais do país com relação a um par de artigos de Frei Betto relacionando tortura a ateísmo militante.