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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Quem é o seu amante?...



Muitas pessoas têm um amante e outras gostariam de ter um. Há também as que não têm, e as que tinham e perderam.

Geralmente, são essas últimas as que vêem ao meu consultório para me contar que estão tristes ou que apresentam sintomas típicos de insônia,  apatia, pessimismo, crises de choro, dores etc.

Elas me contam que suas vidas transcorrem de forma monótona e sem perspectivas, que trabalham apenas para sobreviver e que não sabem como ocupar seu tempo livre. Enfim, são várias as maneiras que elas encontram para dizer que estão simplesmente perdendo a esperança.

Antes de me contarem tudo isto, elas já haviam visitado outros consultórios, onde receberam as condolências de um diagnóstico firme:

"Depressão", além da inevitável receita do anti-depressivo do momento.

Assim, após escutá-las atentamente, eu lhes digo que não precisam de nenhum anti-depressivo; digo-lhes que precisam de um AMANTE!

É impressionante ver a expressão dos olhos delas ao receberem meu conselho.

Há as que pensam:

"Como é possível que um profissional se atreva a sugerir uma coisa dessas?!..."
Há também as que, chocadas e escandalizadas, se despedem e não voltam nunca mais.

Aquelas, porém, que decidem ficar e não fogem horrorizadas, eu explico o seguinte:

AMANTE é "aquilo que nos apaixona", é o que toma conta do nosso pensamento antes de pegarmos no sono e é também aquilo que, às vezes, nos  impede de dormir.

O nosso AMANTE é aquilo que nos mantém distraídos em relação ao que acontece à nossa volta. É o que nos mostra o sentido e a  motivação da vida.

Às vezes encontramos o nosso amante em nosso parceiro.

Também podemos encontrá-lo na pesquisa científica ou na literatura, na música, na política, no esporte, no trabalho, na necessidade de transcender espiritualmente, na boa mesa, no estudo ou no prazer obsessivo do passatempo predileto...

Enfim, é "alguém" ou "algo" que nos faz "namorar" a vida e nos afasta do triste destino de "ir levando".

E o que é "ir levando"?...

Ir levando é ter medo de viver.

É o vigiar a forma como os outros vivem, é o se deixar dominar pela pressão, perambular  por consultórios médicos, tomar remédios multicoloridos, afastar-se do que é gratificante, observar decepcionado cada ruga nova que o espelho mostra, é se aborrecer com o calor ou com o frio, com a umidade, com o sol ou com a chuva.

Ir levando é adiar a possibilidade de desfrutar o hoje, fingindo se contentar com a incerta e frágil ilusão de que talvez possamos realizar algo amanhã.

Por favor, não se contente com "ir levando"!!!...

Procure um amante, seja também um amante e um protagonista... DA SUA VIDA!!!...

A psicologia, após estudar muito sobre o tema, descobriu algo transcendental:

"PARA SE ESTAR SATISFEITO, 
ATIVO E SENTIR-SE JOVEM E FELIZ, 
É PRECISO  NAMORAR A VIDA."


Jorge Bucay (Psicólogo)

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Meu avô era Dionísio

Nos últimos dias, meu avô por parte de mãe, tem passeado em meus sonhos e pensamentos. E por essa razão resolvi escrever sobre ele.

Muitas vezes em minha vida ouvi a frase... "Pais são pra educar, avós são pra estragar."

Mesmo pequeno eu entendia o que isso queria dizer. Minha mãe e meu pai estavam sempre ali colocando limites e ditando regras. Já meus avós passavam a maior parte do tempo mimando a gente, e as vezes até nos ajudando a fazer "arte". Mas em todos os casos, ficava claro o amor que todos sentiam por nós.

Mas hoje falarei especificamente de Benedito Blandino, um charmoso e esbelto mulato (filho de um italiano branco e com uma brasileira negra), sempre vaidoso e preocupado com a tendências da moda, sem fugir ao seu estilo. 

Cliente assíduo de boutiques e salões de beleza e estética masculinos, ele sempre se apresentava perfumado, de cabelos tratados e bem cortados, unhas dos pés e das mãos feitas, bigode fino e aparado, com a pele sempre hidratada e macia. Amante da boa comida, de bebidas, das festas, da dança, da música, e de tudo que pudesse lhe proporcionar prazer e alegria, freqüentava desde ambientes muito sofisticados, até as altas rodas da boemia paulistana e carioca.  

Sem dúvida um hedonista com todas as letras, que tinha como maior vício a compulsividade da conquista, e a eterna paixão pelas mulheres. Fato que fez minha avó sofrer muito (ainda com minha mãe e minha tia pequenas), até ela decidir que viveria apenas para suas filhas. Hoje sei que depois disso, os dois passaram a ter uma vida praticamente de conhecidos dividindo a mesma casa. Mas conviveram juntos até 1978, quando ele faleceu aos 56 anos, por complicações nos pulmões em decorrência do vício do cigarro.

Em nenhum momento, relatando isso, estou aprovando ou não, as atitudes de meu avó com relação ao casamento com minha avó. Aqui só quero externar as deliciosas experiências que eu como neto pude vivenciar com ele.

Graças a esse avó dionisíaco, entre meus 3 a 4 anos de idade, fui iniciado no mundo da música, da dança, das festas, nos prazeres e belezas do mundo terreno, e na força espiritual dos orixás (meu avó era de camdomblé).

Quase todos os finais de semana que passei com ele, ficávamos até altas horas da madrugada ouvindo seus discos, que passavam pelo samba, bolero, tango, rumba, mambo, bossa nova, jazz, indo por vezes até a música clássica e a ópera. E nesses momentos ele falava sobre sua vida, contava histórias, revelava curiosidades sobre os artistas, sobre a vida na noite, e o encanto das mulheres.  

Exímio dançarino, ele me ensinou dançar todos os ritmos, e desenvolver um prazer especial pela arte da dança. Tanto que me tornei bailarino por quase oito anos. 

Ele me levava para conhecer a vida cultural da cidade, os monumentos, os lugares históricos, e falava sobre tudo isso com uma paixão que envolvia qualquer pessoa.

Lembrar de meu avó, me faz lembrar de Dionísio. Da alegria, e do sentimento de festa que sua simples presença me trazia. 

Independente do erros, ou atitudes impensadas que ele tenha cometido, Seu Blan (como gostava de ser chamado) me amava e foi um avó muito dedicado. 

O amor que desenvolvi pela arte e a cultura, e os sentimentos hedonistas que exalam dos meus poros, tiveram sua semente plantada por ele.  

Com um avó Dionísio, e um neto filho de Pan, ficou difícil não ver na minha vida um grande cortejo.  Evoeh!...

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Zé Rodrix - Casa no Campo




A música que considero "canção da minha vida". Amoooooo!...

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Composição: Zé Rodrix / Tavito

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais
Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
Meu filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros
E nada mais