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sexta-feira, 15 de abril de 2011

A Musical Instrument


What was he doing, the great god Pan,
Down in the reeds by the river?
Spreading ruin and scattering ban,
Splashing and paddling with hoofs of a goat,
And breaking the golden lilies afloat
With the dragon-fly on the river.

He tore out a reed, the great god Pan,
From the deep cool bed of the river:
The limpid water turbidly ran,
And the broken lilies a-dying lay,
And the dragon-fly had fled away,
Ere he brought it out of the river.

High on the shore sat the great god Pan
While turbidly flowed the river;
And hacked and hewed as a great god can,
With his hard bleak steel at the patient reed,
Till there was not a sign of the leaf indeed
To prove it fresh from the river.

He cut it short, did the great god Pan,
(How tall it stood in the river!)
Then drew the pith, like the heart of a man,
Steadily from the outside ring,
And notched the poor dry empty thing
In holes, as he sat by the river.

"This is the way," laughed the great god Pan
(Laughed while he sat by the river),
"The only way, since gods began
To make sweet music, they could succeed."
Then, dropping his mouth to a hole in the reed,
He blew in power by the river.

Sweet, sweet, sweet, O Pan!
Piercing sweet by the river!
Blinding sweet, O great god Pan!
The sun on the hill forgot to die,
And the lilies revived, and the dragon-fly
Came back to dream on the river.

Yet half a beast is the great god Pan,
To laugh as he sits by the river,
Making a poet out of a man:
The true gods sigh for the cost and pain, 
For the reed which grows nevermore again
As a reed with the reeds in the river.

Elizabeth Barrett Browning
(1806-1861)

quinta-feira, 10 de março de 2011

Siringe



A ninfa descansava nua sob o sol com os cabelos dourados acariciados pela brisa quente, o calor agia devagar e lentamente o ar morno colocava todo o mundo fatigado.

Ao longe pastores guiavam seus rebanhos pelos campos e as árvores do bosque murmuravam uma canção de ninar em conjunto com as águas onde náiades se banhavam. No meio de seu devaneio ela sentia surgir sorrateiramente o ser meio-homem, meio-bode, que tanto abominava. 

Ele esgueirava-se e a encontrava indefesa e excitada. Sua língua quente e áspera de besta machucava o sexo de Siringe que se abria para sentir aquele incômodo prazeiroso. Ele encaixava a cabeça entre suas pernas e bebia qual um animal voraz dos lábios de Siringe. Seu beijo fazia-a contorcer-se, não podia acordar, sentia-se enfeitiçada e desesperada de lascívia.

Então ao se entregar Siringe acordava. Sonhava sempre o mesmo sonho e temia não resistir se o deus dos bosques fosse de fato procurá-la como Morfeu profetizava. Até que em uma tarde de verão aconteceu o que a ninfa tanto temia e aguardava. O sátiro surgiu da mata pronto para tomá-la e amedrontada pela paixão de seu perseguidor, Siringe pôs-se a correr. 

Contudo não havia para onde fugir e ao alcançar o rio Ladon, a ninfa implorou ajuda às náiades. Elas se compadeceram de seu medo e a transformaram. O fauno ao chegar às margens do Ladon encontrou apenas o vento fazendo os bambus cantarem, os bambus nos quais Siringe fora transformada.

Pã não desistiu. Enfurecido, expulsou as náiades, depois, fez dos bambus uma flauta, assim teria Siringe eternamente ao alcance de sua boca. E a julgar pelo som que a flauta produzia, não resta dúvida que Siringe se deixou levar pelos lábios do deus selvagem gemendo melodias e gozando todas as vezes que ele a tocava.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Prece a Pã


A Pã, líder das ninfas naiades, ergo minha canção,
Orgulho dos Coros Dourados, Senhor da Música Frívola;

De sua flauta que soa longe ele verte uma inspirada
melodia sedutora; 

Ele caminha levemente até a canção,
saltando entre as sombrias cavernas, mostrando seu
corpo multiforme, lindas danças, lindo rosto,
resplandescente com barba loira. 

Tão longe quanto no
estrelado Olimpo chega o pânico eco, permeando a
companhia dos Deuses Olimpianos com uma musa imortal.

A terra e o mar inteiros são agitados por sua graça;
você é o propulsor de tudo, ó Pã, ah Pã.

(Autor Desconhecido)

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Vivendo a Faunália

No último dia 5 de dezembro, depois de um intenso dia de trabalho, fui rapidamente para casa na intensão de realizar um ritual em homenagem a todos os Faunos, Sátiros, Silvanos e Silenos, celebrando a Faunália... Já em casa, depois de um banho de ervas, preparei tudo que já havia comprado para ocasião, abri um vinho e celebrei... 


Pedi benções a todas as pessoas que amo e estimo nesta vida, que convivem comigo ou que por algum motivo estão longe. Agradeci pelo que havia conquistado, e ao final, depois de um período de introspecção e meditação, encerrei com um sentimento bom de missão cumprida, e fui descansar. 

Nu, deitado em minha cama, e recebendo a brisa úmida cheirando a mato molhado vindo da Serra da Cantareira, adormeci. 

Agora vem o motivo pelo qual resolvi dividir com todos, essa experiência. Num sonho muuuuuito real, me vi efetivamente como um fauno, numa espécie de gruta em meio a uma mata densa, juntamente a outros irmãozinhos faunos. 


Riamos, dançávamos e bebíamos ao som de flautas e tambores. Quando luzes em meio a mata nos fez parar. Neste momento passamos a ouvir um delicioso canto, com vozes femininas, ficando cada vez mais alto, a medida que as luzes se aproximavam da gruta. 

Em pouco tempo, já podíamos ver um grande grupo de ninfas cantando. Umas com tochas nas mãos, outras com jarros de vinho, e algumas com tachos de frutas, se aproximando. Quando todo o grupo de ninfas finalmente parou em frente a gruta. Um grito na mata anunciou a chegada de Pan, que pessoalmente veio agradecer a homenagem das ninfas e dar-lhes boas vindas. 

Nós faunos totalmente entorpecidos e seduzidos pelo perfume e canto das ninfas, ao invés de cortejar, passamos a ser vagarosamente cortejados por elas. Em poucos minutos todos ali ardiam em êxtase e prazer, aos olhos, sorrisos, e bênçãos de Pan. Que permaneceu sentado em meio a folhagens no alto de uma pedra, apenas observando. 

Desfalecidos de tanto gozo e prazer, nós faunos, nos despedíamos das ninfas. Cada um dos faunos presenteou uma ninfa com um cristal e uma flor. Quando todas ninfas, novamente agrupadas se preparavam para partir, Pan levantou-se, sorriu, e ergueu os braços, neste momento uma espécie de chuva de gotas brilhantes de prata, desciam lentamente da copa das árvores e caiam sobre todos.

Ainda sorrindo, Pan fechou os olhos e gritou... Neste momento eu acordei abruptamente, mas continuei a ouvir o grito de Pan ecoando na mata da Cantareira. 

Nitidamente suado, como se tivesse dançado a noite inteira, levantei, caminhei até a sacada e vi o sol nascer por entre as árvores. Neste momento, uma sensação de paz me invadiu e permanece até agora. 

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Dancing Pan




Aqui uma escultura do Deus Pan toma vida, e encarna o ator John Travolta dançando uma das suas famosas coreografias no filme "Embalos de Sábado a Noite" ao som de Bee Gees, e na seqüência já engata um Michael Jackson no ritmo de "Billie Jean", com direito ao clássico passo "moonwalk"... Muito bom!... Só acho que os produtores da animação não precisavam castrar o fauno... Mas vale a pena conferir!...

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Meu avô era Dionísio

Nos últimos dias, meu avô por parte de mãe, tem passeado em meus sonhos e pensamentos. E por essa razão resolvi escrever sobre ele.

Muitas vezes em minha vida ouvi a frase... "Pais são pra educar, avós são pra estragar."

Mesmo pequeno eu entendia o que isso queria dizer. Minha mãe e meu pai estavam sempre ali colocando limites e ditando regras. Já meus avós passavam a maior parte do tempo mimando a gente, e as vezes até nos ajudando a fazer "arte". Mas em todos os casos, ficava claro o amor que todos sentiam por nós.

Mas hoje falarei especificamente de Benedito Blandino, um charmoso e esbelto mulato (filho de um italiano branco e com uma brasileira negra), sempre vaidoso e preocupado com a tendências da moda, sem fugir ao seu estilo. 

Cliente assíduo de boutiques e salões de beleza e estética masculinos, ele sempre se apresentava perfumado, de cabelos tratados e bem cortados, unhas dos pés e das mãos feitas, bigode fino e aparado, com a pele sempre hidratada e macia. Amante da boa comida, de bebidas, das festas, da dança, da música, e de tudo que pudesse lhe proporcionar prazer e alegria, freqüentava desde ambientes muito sofisticados, até as altas rodas da boemia paulistana e carioca.  

Sem dúvida um hedonista com todas as letras, que tinha como maior vício a compulsividade da conquista, e a eterna paixão pelas mulheres. Fato que fez minha avó sofrer muito (ainda com minha mãe e minha tia pequenas), até ela decidir que viveria apenas para suas filhas. Hoje sei que depois disso, os dois passaram a ter uma vida praticamente de conhecidos dividindo a mesma casa. Mas conviveram juntos até 1978, quando ele faleceu aos 56 anos, por complicações nos pulmões em decorrência do vício do cigarro.

Em nenhum momento, relatando isso, estou aprovando ou não, as atitudes de meu avó com relação ao casamento com minha avó. Aqui só quero externar as deliciosas experiências que eu como neto pude vivenciar com ele.

Graças a esse avó dionisíaco, entre meus 3 a 4 anos de idade, fui iniciado no mundo da música, da dança, das festas, nos prazeres e belezas do mundo terreno, e na força espiritual dos orixás (meu avó era de camdomblé).

Quase todos os finais de semana que passei com ele, ficávamos até altas horas da madrugada ouvindo seus discos, que passavam pelo samba, bolero, tango, rumba, mambo, bossa nova, jazz, indo por vezes até a música clássica e a ópera. E nesses momentos ele falava sobre sua vida, contava histórias, revelava curiosidades sobre os artistas, sobre a vida na noite, e o encanto das mulheres.  

Exímio dançarino, ele me ensinou dançar todos os ritmos, e desenvolver um prazer especial pela arte da dança. Tanto que me tornei bailarino por quase oito anos. 

Ele me levava para conhecer a vida cultural da cidade, os monumentos, os lugares históricos, e falava sobre tudo isso com uma paixão que envolvia qualquer pessoa.

Lembrar de meu avó, me faz lembrar de Dionísio. Da alegria, e do sentimento de festa que sua simples presença me trazia. 

Independente do erros, ou atitudes impensadas que ele tenha cometido, Seu Blan (como gostava de ser chamado) me amava e foi um avó muito dedicado. 

O amor que desenvolvi pela arte e a cultura, e os sentimentos hedonistas que exalam dos meus poros, tiveram sua semente plantada por ele.  

Com um avó Dionísio, e um neto filho de Pan, ficou difícil não ver na minha vida um grande cortejo.  Evoeh!...

sábado, 16 de maio de 2009

O grito de PAN

Hoje ao acordar (bem, tarde por sinal), depois de uma deliciosa noite, como há muito tempo não tinha. 

Me vi querendo escrever sobre PAN... E sobre a alegria de tê-lo perto (diga-se de passagem, durante toda noite ele se mostrou presente... uma loucura)... 

Caneta papel na mão e aqui está o que escrevi.


"O grito de PAN"

Noite fria e chuvosa em meio a Floresta.
Pingos escorrem entre folhagens como lágrimas no rosto.
Um grito rompe a mata e ecoa tão forte que os Deuses calam.
O grito de PAN.
Antes que o pânico tome conta dos campos verdes,
O som de Sírinx, a flauta de PAN, reestabelece o equilíbrio.
Numa suave música, aquelas notas trazem calma e alento aos corações.
Em especial ao seu filho,
Que o esperava para ser alimentado...
Alimentado de proteção e alegria,
De força e confiança,
De vida e energia,
De amor e esperança.
Ele veio.
Anunciado num grito...
E aclamado no respeitoso silêncio de Deuses e mortais...
Ele veio.
Alimentou seu filho, e lhe mostrou o horizonte
Reafirmando em seu olhar, que TUDO era possível...
Pois TUDO era o seu nome.
E como seu filho, o céu era o limite.
Um novo grito foi dado por PAN. 
Um chamado.
E ali se apresentou Dionyso, sorrindo ao lado das Ménades. 
E PAN deu novo grito...
O cortejo foi iniciado...
Mas desta vez, com seu filho também gritando a frente.

Evoé, Dionyso!... Evile PAN!... Io!...

Grato pelas benções,

Fau Satyr

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Rating:★★★★★
Category:Other
Pã (Lupércio ou Lupercus em Roma) era o deus dos bosques, dos campos, dos rebanhos e dos pastores na mitologia grega. Residia em grutas e vagava pelos vales e pelas montanhas, caçando ou dançando com as ninfas.

Era representado com orelhas, chifres e pernas de bode. Amante da música, trazia sempre consigo uma flauta. Era temido por todos aqueles que necessitavam atravessar as florestas à noite, pois as trevas e a solidão da travessia os predispunham a pavores súbitos, desprovidos de qualquer causa aparente e que eram atribuídos a Pã; daí o nome pânico.

Os latinos chamavam-no também de Fauno e Silvano.

Tornou-se símbolo do mundo pagão por ser associado à natureza e simbolizar o universo. Em Roma, chamado de Lupércio, era o deus dos pastores e de seu festival, celebrado no aniversário da fundação de seu templo, denominado de Lupercália, nos dias 15, 16 e 17 de fevereiro.

Pã foi associado com a caverna onde Rômulo e Remo foram amamentados por uma loba. Os sacerdotes que o cultuavam vestiam-se de pele de bode.
Nos últimos dias de Roma, os lobos ferozes vagavam próximos às casas. Os romanos então convidavam Lupercus para manter os lobos afastados.

Pã apaixonou-se pela ninfa Arcadiana Syrinx, que rejeitou com desdém o seu amor, recusando-se a aceitá-lo como seu amante pelo facto de ele não ser nem homem, nem bode.
Pã então perseguiu-a, mas Syrinx, ao chegar à margem do rio Ladon e vendo que já não tinha possibilidade de fuga, pediu às ninfas dos rios, as náiades, que mudassem a sua forma.

Estas, ouvindo as suas preces, atendem o seu pedido a transformando em bambu. Quando Pan a alcançou e a quis agarrar, não havia nada, excepto o bambu e o som que o ar produzia ao atravessá-lo.

Quando, ao ouvir este som, Pã ficou encantado, e resolveu então juntar bambus de diferentes tamanhos, inventando um instrumento musical ao qual chamou syrinx, em honra à ninfa. Este instrumento musical é conhecido mais pelo nome de Flauta de Pã, em honra ao próprio deus.
Pã teria sido um dos filhos de Zeus com sua ama de leite, a cabra Amaltéia.

Seu grande amor no entanto foi Selene, a Lua. Em uma versão egípcia, Pã estava com outros deuses nas margens do Rio Nilo e surgiu Tífon, inimigo dos deuses. O medo transformou cada um dos deuses em animais e Pã, assustado, mergulhou num rio e disfarçou assim metade de seu corpo, sobrando apenas a cabeça e a parte superior do corpo, que se assemelhava a uma cabra; a parte submersa adotou uma aparência aquática.

Zeus considerou este estratagema de Pã muito esperto e, como homenagem, transformou-o em uma constelação, a que seria Cápricórnio.

Fonte: Wikipedia


segunda-feira, 6 de abril de 2009

PAN está comigo... E ele é TUDO!...

Ultimamente, minha vida tem sido uma loucura. Durmo de três a quatro horas por dia. Vivo em estado de alerta, pronto para qualquer eventualidade. Sempre preocupado com uma série de coisas, e angustiado com outras. Isso tem me esgotado.  

Mesmo tentando achar um ponto de equilíbrio com a finalidade de atenuar tudo isso. As coisas se mostram ainda difíceis.


Com tanta coisa acontecendo, e meus limites sendo testados diuturnamente, minhas inquietudes e questionamentos efervescem dentro da minha mente, parecendo um vulcão prestes a incendiar o mundo com sua lava. 

Na maioria das vezes não entendemos os processos, e a vida nos proporciona sempre alguns sinais que nos remetem a concluir indagações sem resposta, e rever conclusões já tomadas.

Alguns sinais são sutis, outros são profundamente claros, mas todos indistintamente estão lá para nos fazer pensar e nos ajudar.

Pois bem, e foi num momento crítico desse quadro, em que eu já acreditava não estar sendo assistido divinamente, quase jogando tudo fora, que dei de cara com um desses sinais. 

E isso aconteceu no final do último mês. Num local onde o temor e a esperança caminham de mãos dadas para a maioria das pessoas que ali passa. Triste, cansado, deprimido, e quase descrente, deixei minha mãe sentada na sala de espera, e sai para respirar um pouco.

Lá fora, vi do outro lado da rua, um senhor aparentando uns sessenta e poucos anos, cabelo e barba grisalhos, ao lado uma estreita banca, com alguns poucos livros.

Achei estranho, pois nas muitas vezes que estive neste local, diga-se de passagem, quase sem movimento de pedestres, nunca vi ninguém parado ali, muito menos vendendo algo.

Sabendo disso, não resisti a vontade que me atraia até a banca. 

Diante da banca, olhando os únicos setes velhos livros a minha frente, um me deixou paralisado por trazer na capa a graciosa imagem de PAN. Minhas pernas ficaram tremulas, um calor tomou conta do meu corpo, e as lágrimas começaram a rolar no meu rosto.

Me olhando atento e de maneira terna, aquele estranho senhor passava a impressão de que sabia o que estava acontecendo.

Tentando enxugar as lágrimas, perguntei o valor do livro. Mesmo tendo um preço muito baixo, eu estava apenas com alguns poucos trocados no bolso. Antes que eu pudesse dizer algo, este senhor pegou o livro, puxou minha mão, e o colocou nela dizendo... "o que você tem no bolso é o bastante, pois este livro deve ser seu"...

Ainda meio sem entender, agradeci, e voltei com o livro para a sala de espera. Ao abri-lo com mais calma, constatei que ele foi editado exatamente no mês ano do meu nascimento.

Mais uma vez, o calor tomou conta do meu corpo, foi quando resolvi voltar para fora e ver novamente aquele senhor, que já não estava mais lá, e foi como se nunca tivesse estado.

Quem me conhece sabe que eu não costumo externar, ou falar sobre minhas experiências. Mas desta vez senti muita vontade de fazê-lo. 

Com isso, apesar do incômodo do atual quadro, minha FÉ se fortaleceu. E mais do que nunca, eu acredito que as coisas vão dar certo com a força dos Deuses... 
Com as bênçãos de PAN... Io PAN!... Evile, evile, PAN!...

domingo, 29 de março de 2009

Hino a Pã - Hymn to Pan

"Hino a Pã" é uma tradução do poema "Hymn to Pan", do prefácio do livro "Magick in Theory and Practice" ("Magick -Teoria e Prática"), do polêmico magista inglês Aleister Crowley

Esta tradução foi feita por ninguém menos, que o escritor português Fernando Pessoa (amigo pessoal de Crowley), e publicada em seu livro "Presença", em outubro de 1931.

Confira abaixo, as duas versões:

"Hymn to Pan"

By Master Therion (um dos nomes mágickos de Aleister Crowley)

Thrill with lissome lust of the light,
O man! My man!
Come careering out of the night
Of Pan! Io Pan!
Io Pan! Io Pan! Come over the sea
From Sicily and from Arcady!
Roaming as Bacchus, with fauns and pards
And nymphs and satyrs for thy guards,
On a milk-white ass, come over the sea
To me, to me,
Come with Apollo in bridal dress
(Shepherdess and pythoness)
Come with Artemis, silken shod,
And wash thy white thigh, beautiful God,
In the moon of the woods, on the marble mount,
The dimpled dawn of the amber fount!
Dip the purple of passionate prayer
In the crimson shrine, the scarlet snare,
The soul that startles in eyes of blue
To watch thy wantonness weeping through
The tangled grove, the gnarled bole
Of the living tree that is spirit and soul
And body and brain - come over the sea,
(Io Pan! Io Pan!)
Devil or god, to me, to me,
My man! my man!
Come with trumpets sounding shrill
Over the hill!
Come with drums low muttering
From the spring!
Come with flute and come with pipe!
Am I not ripe?
I, who wait and writhe and wrestle
With air that hath no boughs to nestle
My body, weary of empty clasp,
Strong as a lion and sharp as an asp -
Come, O come!
I am numb
With the lonely lust of devildom.
Thrust the sword through the galling fetter,
All-devourer, all-begetter;
Give me the sign of the Open Eye,
And the token erect of thorny thigh,
And the word of madness and mystery,
O Pan! Io Pan!
Io Pan! Io Pan Pan! Pan Pan! Pan,
I am a man:
Do as thou wilt, as a great god can,
O Pan! Io Pan!
Io Pan! Io Pan Pan! I am awake
In the grip of the snake.
The eagle slashes with beak and claw;
The gods withdraw:
The great beasts come, Io Pan! I am borne
To death on the horn
Of the Unicorn.
I am Pan! Io Pan! Io Pan Pan! Pan!
I am thy mate, I am thy man,
Goat of thy flock, I am gold, I am god,
Flesh to thy bone, flower to thy rod.
With hoofs of steel I race on the rocks
Through solstice stubborn to equinox.
And I rave; and I rape and I rip and I rend
Everlasting, world without end,
Mannikin, maiden, Maenad, man,
In the might of Pan.
Io Pan! Io Pan Pan! Pan! Io Pan!

"Hino a Pã"

De Mestre Therion, por Fernando Pessoa

Vibra do cio subtil da luz,
Meu homem e afã
Vem turbulento da noite a flux
De Pã! Iô Pã!
Iô Pã! Iô Pã! Do mar de além
Vem da Sicília e da Arcádia vem!
Vem como Baco, com fauno e fera
E ninfa e sátiro à tua beira,
Num asno lácteo, do mar sem fim,
A mim, a mim!
Vem com Apolo, nupcial na brisa
(Pegureira e pitonisa),
Vem com Artêmis, leve e estranha,
E a coxa branca, Deus lindo, banha
Ao luar do bosque, em marmóreo monte,
Manhã malhada da àmbrea fonte!
Mergulha o roxo da prece ardente
No ádito rubro, no laço quente,
A alma que aterra em olhos de azul
O ver errar teu capricho exul
No bosque enredo, nos nás que espalma
A árvore viva que é espírito e alma
E corpo e mente - do mar sem fim
(Iô Pã! Iô Pã!),
Diabo ou deus, vem a mim, a mim!
Meu homem e afã!
Vem com trombeta estridente e fina
Pela colina!
Vem com tambor a rufar à beira
Da primavera!
Com frautas e avenas vem sem conto!
Não estou eu pronto?
Eu, que espero e me estorço e luto
Com ar sem ramos onde não nutro
Meu corpo, lasso do abraço em vão,
Áspide aguda, forte leão -
Vem, está fazia
Minha carne, fria
Do cio sozinho da demonia.
À espada corta o que ata e dói,
Ó Tudo-Cria, Tudo-Destrói!
Dá-me o sinal do Olho Aberto,
E da coxa áspera o toque erecto,
Ó Pã! Iô Pã!
Iô Pã! Iô Pã Pã! Pã Pã! Pã.,
Sou homem e afã:
Faze o teu querer sem vontade vã,
Deus grande! Meu Pã!
Iô Pã! Iô Pã! Despertei na dobra
Do aperto da cobra.
A águia rasga com garra e fauce;
Os deuses vão-se;
As feras vêm. Iô Pã! A matado,
Vou no corno levado
Do Unicornado.
Sou Pã! Iô Pã! Iô Pã Pã! Pã!
Sou teu, teu homem e teu afã,
Cabra das tuas, ouro, deus, clara
Carne em teu osso, flor na tua vara.
Com patas de aço os rochedos roço
De solstício severo a equinócio.
E raivo, e rasgo, e roussando fremo,
Sempiterno, mundo sem termo,
Homem, homúnculo, ménade, afã,
Na força de Pã.
Iô Pã! Iô Pã Pã! Pã!