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quinta-feira, 10 de março de 2011

Siringe



A ninfa descansava nua sob o sol com os cabelos dourados acariciados pela brisa quente, o calor agia devagar e lentamente o ar morno colocava todo o mundo fatigado.

Ao longe pastores guiavam seus rebanhos pelos campos e as árvores do bosque murmuravam uma canção de ninar em conjunto com as águas onde náiades se banhavam. No meio de seu devaneio ela sentia surgir sorrateiramente o ser meio-homem, meio-bode, que tanto abominava. 

Ele esgueirava-se e a encontrava indefesa e excitada. Sua língua quente e áspera de besta machucava o sexo de Siringe que se abria para sentir aquele incômodo prazeiroso. Ele encaixava a cabeça entre suas pernas e bebia qual um animal voraz dos lábios de Siringe. Seu beijo fazia-a contorcer-se, não podia acordar, sentia-se enfeitiçada e desesperada de lascívia.

Então ao se entregar Siringe acordava. Sonhava sempre o mesmo sonho e temia não resistir se o deus dos bosques fosse de fato procurá-la como Morfeu profetizava. Até que em uma tarde de verão aconteceu o que a ninfa tanto temia e aguardava. O sátiro surgiu da mata pronto para tomá-la e amedrontada pela paixão de seu perseguidor, Siringe pôs-se a correr. 

Contudo não havia para onde fugir e ao alcançar o rio Ladon, a ninfa implorou ajuda às náiades. Elas se compadeceram de seu medo e a transformaram. O fauno ao chegar às margens do Ladon encontrou apenas o vento fazendo os bambus cantarem, os bambus nos quais Siringe fora transformada.

Pã não desistiu. Enfurecido, expulsou as náiades, depois, fez dos bambus uma flauta, assim teria Siringe eternamente ao alcance de sua boca. E a julgar pelo som que a flauta produzia, não resta dúvida que Siringe se deixou levar pelos lábios do deus selvagem gemendo melodias e gozando todas as vezes que ele a tocava.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Vivendo a Faunália

No último dia 5 de dezembro, depois de um intenso dia de trabalho, fui rapidamente para casa na intensão de realizar um ritual em homenagem a todos os Faunos, Sátiros, Silvanos e Silenos, celebrando a Faunália... Já em casa, depois de um banho de ervas, preparei tudo que já havia comprado para ocasião, abri um vinho e celebrei... 


Pedi benções a todas as pessoas que amo e estimo nesta vida, que convivem comigo ou que por algum motivo estão longe. Agradeci pelo que havia conquistado, e ao final, depois de um período de introspecção e meditação, encerrei com um sentimento bom de missão cumprida, e fui descansar. 

Nu, deitado em minha cama, e recebendo a brisa úmida cheirando a mato molhado vindo da Serra da Cantareira, adormeci. 

Agora vem o motivo pelo qual resolvi dividir com todos, essa experiência. Num sonho muuuuuito real, me vi efetivamente como um fauno, numa espécie de gruta em meio a uma mata densa, juntamente a outros irmãozinhos faunos. 


Riamos, dançávamos e bebíamos ao som de flautas e tambores. Quando luzes em meio a mata nos fez parar. Neste momento passamos a ouvir um delicioso canto, com vozes femininas, ficando cada vez mais alto, a medida que as luzes se aproximavam da gruta. 

Em pouco tempo, já podíamos ver um grande grupo de ninfas cantando. Umas com tochas nas mãos, outras com jarros de vinho, e algumas com tachos de frutas, se aproximando. Quando todo o grupo de ninfas finalmente parou em frente a gruta. Um grito na mata anunciou a chegada de Pan, que pessoalmente veio agradecer a homenagem das ninfas e dar-lhes boas vindas. 

Nós faunos totalmente entorpecidos e seduzidos pelo perfume e canto das ninfas, ao invés de cortejar, passamos a ser vagarosamente cortejados por elas. Em poucos minutos todos ali ardiam em êxtase e prazer, aos olhos, sorrisos, e bênçãos de Pan. Que permaneceu sentado em meio a folhagens no alto de uma pedra, apenas observando. 

Desfalecidos de tanto gozo e prazer, nós faunos, nos despedíamos das ninfas. Cada um dos faunos presenteou uma ninfa com um cristal e uma flor. Quando todas ninfas, novamente agrupadas se preparavam para partir, Pan levantou-se, sorriu, e ergueu os braços, neste momento uma espécie de chuva de gotas brilhantes de prata, desciam lentamente da copa das árvores e caiam sobre todos.

Ainda sorrindo, Pan fechou os olhos e gritou... Neste momento eu acordei abruptamente, mas continuei a ouvir o grito de Pan ecoando na mata da Cantareira. 

Nitidamente suado, como se tivesse dançado a noite inteira, levantei, caminhei até a sacada e vi o sol nascer por entre as árvores. Neste momento, uma sensação de paz me invadiu e permanece até agora. 

sábado, 28 de agosto de 2010

Cortejo dionisíaco invade o Luxúria

Recebi um convite esta semana (imagem abaixo), e seu contexto acabou me motivando a escrever aqui.


Se trata de um convite para mais uma festa do Projeto Luxúria...  Não sei dizer a razão, mas adoooooooooro as "festinhas" deste projeto...rsrsrs... A cada mês um novo tema faz a cabeça da maioria dos seus freqüentadores fervilhar na busca da melhor produção.

Para quem não conhece, todo primeiro sábado do mês, aqui na capital paulista, um grupo de pessoas se encontra para uma noite de performances eróticas, fetiches e brincadeiras sensuais. Uma festa em que os participantes são convidados a vivenciar suas fantasias com toda a liberdade. 


O fetichismo está na imaginação de cada um, é uma forma de interagir e vivenciar as próprias fantasias e também de explorar a imaginação alheia. Sedução, provocação, dor, sadomasoquismo, podolatria são apenas alguns poucos exemplos do que pode ser o fetichismo.


Reconhecido por seus trabalhos para televisão como figurinista pela grife "Escola de Divinos" (www.escoladedivinos.com.br), e também pela organização de diversos eventos em São Paulo, o estilista Heitor Werneck (foto abaixo), é o responsável pelo projeto, idealizado juntamente com o produtor multimídia e DJ, Nagash.


O Projeto Luxúria (www.projetoluxuria.com.br) tem como proposta a volta do chamado "dresscode" na noite de São Paulo, visando acostumar o público à experiência de usar roupas temáticas na noite. A referência são os tradicionais eventos de fetiche de clubes norte-americanos e ingleses, aliando performances circenses e dramáticas. 

Como um exemplo, podemos citar a londrina "Torture Garden" (www.torturegarden.com), festa que o público transformou em label, com merchandising em camisetas e diversos acessórios. Festas desse tipo já foram realizadas de forma itinerante em São Paulo, obtendo grande repercussão e apoio de mídia.


Durante muito tempo o "Projeto Luxúria" foi realizado no "Audio Delicatessen" (www.audiodelicatessen.com.br) situado no bairro de Pinheiros, mas com o constante crescimento de freqüentadores, a festa passou a ser realizada no "Constantine Club" (www.constantineclub.com.br), na região de Moema.


O "dresscode" é um meio de filtrar todas aquelas pessoas que não compartilham o espírito de uma festa fetichista. Embora o uso de vinil ou couro preto sejam suficientes para acesso à festa, um evento moderno de fetiche é mais sobre fantasia e transformação. Explorando suas mais profundas vontades, e refletindo-as com criatividade em seu visual.


A partir do tema da festa, os participantes podem se inspirar e desenvolver novos fetiches. É importante deixar claro que não se trata de uma festa à fantasia, o tema deve ser explorado sempre com um olhar fetichista.


O objetivo da festa é a interação, seja ela filiada ao tema ou fora dele. Os organizadores orientam os freqüentadores a não se sentirem intimidados caso não haja uma elaborada produção visual encima do tema, mas que isso seja usado como um grande estímulo. 


Você será muito bem aceito, esteja com seu visual fetichista ou todo de preto. A produção te dará vantagens na entrada e também servirá como forma de conhecer outras pessoas na festa. O mais importante é se soltar, dar asas à imaginação e interagir positivamente.


Mas é bom ficar claro que não são admitidas á festa de forma alguma, as pessoas que trajarem roupas casuais ou do dia-a-dia. Você está fora do "dresscode" se estiver com a roupa do trabalho, de camiseta, tênis, boné, malha ou jeans de qualquer cor ou tipo, a menos que esteja dentro de um contexto remetido ao tema. Por exemplo, o jeans seria algo aceitável para um visual no tema "cowboy". 


Considerações a parte, o tema para a próxima festa do Projeto Luxúria, marcada para o dia 11 de setembro, às 22h00, (do qual recebi o convite... confira a imagem no topo do texto) é "Dionísio". Embora a imagem não seja de Dionísio, ai esta um dos membros mais ilustres de seu cortejo... Um jovem Fauno!... (Porque será que eu gostei?...rsrsrs)


Para quem quiser mais informações sobre o projeto, sobre a festa, ou sugestões de dresscode para o tema, acesse: www.projetoluxuria.com.br

Para incluir o nome na lista (o que garante um desconto), é enviar um email para projetoluxuria4@gmail.com até no máximo 18h00 do dia da festa.

Caso decida ir, nos encontramos por lá!... };^)> 

Fotos: Thiago Marzano (exceto a do Heitor Werneck)

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Dancing Pan




Aqui uma escultura do Deus Pan toma vida, e encarna o ator John Travolta dançando uma das suas famosas coreografias no filme "Embalos de Sábado a Noite" ao som de Bee Gees, e na seqüência já engata um Michael Jackson no ritmo de "Billie Jean", com direito ao clássico passo "moonwalk"... Muito bom!... Só acho que os produtores da animação não precisavam castrar o fauno... Mas vale a pena conferir!...

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Fauno

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Fauno (do latim Faunus, "favorável" ou também Fatuus, "destino" ou ainda "profeta") é nome exclusivo da mitologia romana, de onde o mito originou-se, como um rei do Lácio que foi transmutado em deus e, a seguir, sofreu diversas modificações, sincretismo com seres da religião grega ou mesmo da própria romana, causando grande confusão entre mitos variados, ora tão mesclados ao mito original que muitos não lhes distinguem diferenças (como, por exemplo, entre as criaturas chamadas de faunos - em Roma - e os sátiros, gregos).

Assim, para compreender a figura de Fauno, é preciso inicialmente saber que o nome era usado para denominar, essencialmente, três figuras distintas: Fauno, rei mítico do Lácio, deificado pelos romanos, muitas vezes confundido com Pã, com Silvano e/ou com Lupércio (como deus, era imortal); Faunos (no plural, embora possa ser usado no singular, quando individuado o ser) - criaturas que, tal como os sátiros gregos, possuíam um corpo meio humano, meio bode, e que seriam descendentes do rei Fauno. (Eram semideuses e, portanto, mortais); ou ainda, Fauno, um marinheiro que, tendo se apaixonado por Safo, obteve de Afrodite beleza e sedução a fim de que pudesse conquistar a poetisa.

Desde a Antiguidade, em muitos festivais de Atenas, a maioria dedicados a Dionísio, diversas tragédias eram representadas antes de uma peça chamada "satírica", onde os atores, em coro, se fantasiavam de faunos, realizando danças e cantos em flautas, para cortejar o deus. Desde então, a obra satírica foi aproveitada pelo Renascimento e em alguns Classicismos, ficando vigorizada na Europa, e na poesia de Gregório de Mattos.

Devido suas sincrônancias, o mito do fauno fundiu-se com muitas outras culturas e, passando pelos séculos, adquiriu muitas representações artísticas. Na representação da escultura, Praxíteles talvez tenha sido o primeiro a retratar a figura como jovem e bela, conservando seu lado físico humano e obscurecendo seus traços animais. Além de ser trabalhada em obras literárias (notavelmente na poesia), o mito do fauno atravessou os tempos e atingiu também a arte barroca e também a arte renascentista, onde seus artistas o retratavam de formas diferentes.

Um rei, um deus

A primitiva imagem de Fauno na mitologia romana diz respeito ao terceiro rei da Itália (Lácio), e que segundo Virgílio, na Eneida, teria recebido o troiano Evandro, quando este se instalou no monte Palatino; Fauno seria filho de Pico, que era por sua vez filho de Saturno. Trazia, assim, a condição divina por seu antepassado avoengo. Já Hacquard diz que Fauno seria filho de Júpiter com Circe, ao passo que Murray aponta versões de que seria filho de Marte.

Segundo Murray, teria sido um rei que, em virtude dos bens feitos ao seu povo, civilizando-os e introduzindo no país a agricultura, foi alçado à divindade após sua morte, sendo adorado como representante das matas e dos campos, sob o nome de Fatuus (ou Destino, Fatalidade). Já Hacquard reputa a deificação do rei por este haver criado as leis e inventado a flauta.

Para este autor, Luperco era seu outro nome, sendo um deus agrícola que garantia a fertilidade do gado e sua proteção, especialmente contra os lobos, e que tinha prazer em ficar junto às fontes e passear pelos montes e florestas.

Descendência

Fauno seria o pai de Latino, que o sucedera no trono itálico e que, já velho e sem sucessor homem, foi advertido num sonho por Fauno de que a neta Lavínia deveria casar-se com um estrangeiro - e não com um dos muitos pretendentes vizinhos que a cortejavam.

O estrangeiro, então, seria o herói Enéias. Hacquard confirma esta versão, mas questiona se Latino não seria, talvez, filho de Hércules, em vez de Fauno. Da união de Enéias e Lavínia, profetizara Fauno no sonho, adviria uma raça que iria dominar o mundo: os romanos. Essa versão é confirmada por Nennius, que narra a ida de Enéias para o Lácio, onde derrota Turno, um dos pretendentes de Lavínia.

Algumas versões do mito apresentam Fauna como filha do rei, e que este a teria embriagado e, assumindo a forma de uma serpente, a violentara.
No mito de Ácis e Galatéia, esta declara que ele seria filho de Fauno com uma náiade.

Representação

A representação de Fauno, nas pinturas e esculturas antigas, é feita retratando-o como um homem de barbas, uma coroa de folhas sobre a cabeça e vestindo somente uma pele de cabras, segurando a cornucópia. Ovídio nos diz que tinha chifres na cabeça, e sua coroa era feita de pinus.

Já para os faunos, Dillaway diz que "Os romanos os chamavam Fauni e Ficarii. A denominação Ficarii não deriva do latim ficus que significa figo, como alguns imaginaram, mas de ficus, fici, uma espécie de tumor ou excrescência que cresce nas pálpebras e outras partes do corpo, que os faunos eram representados como possuidores."

Tendências sincronatórias

Fauno e Fauna

Fauna, além da variante que a toma por filha de Fauno, teria sido noutras versões sua esposa, de cuja união advieram os faunos, e segundo algumas fontes esta teria se embriagado com vinho e, então, surrada pelo esposo até a morte, apesar de seus hábitos comedidos; seria, também, uma irmã de Fauno.

Fauna, por sua vez, era também associada, pelos romanos, à Boa Deusa. Assim como Fauno, ela também possuía dons oraculares, embora no seu caso voltado apenas às mulheres.

Fauno e Pã

Sendo uma antiga divindade da Itália, nos tempos romanos Fauno adquiriu características que o tornaram similar ao deus Pã, grego. Entretanto, os romanos não fizeram a assimilação direta de Pã a Fauno: ora suas características estão unidas, ora está relacionado ao deus Silvano.
Segundo Menard, os mitos gregos, ao se espalharem pela Itália fizeram com que se confundissem as relações entre Pã e Fauno, embora suas lendas fossem distintas.

Fauno e Silvano

Para Bulfinch, Silvano e Fauno eram deuses romanos tão similares a Pã, que os considera a mesma personagem com nomes distintos. A diferença, tênue, quando existente, é indicada por Dillaway, dizendo que "os faunos eram uma espécie de semi-deuses, que quando habitando as florestas eram também chamados Silvanos."

Fauno e/ou Lupércio

Fauno, como protetor do gado, recebe o nome de Lupercus (ou Lupércio: "aquele que repele os lobos). Estes nomes teriam sido aqueles com os quais Pã fora identificado, em Roma. Já a associação dos nomes - Faunus Lupercus - parece comum.

Culto

Segundo Bailey, os mitos como o de Fauno, associados aos seres do campo ou silvestres apresentam um caráter menos digno do que o devotado aos deuses Lares. A Fauno, bem como ao seu companheiro Inuus (um dos di indigetes), associavam os romanos um caráter de selvageria e travessura, a refletir uma convicção animista da maldade e hostilidade como algo natural nestes espíritos.

O culto a Fauno dava-se em santuários, dos quais o principal era o Lupercal, localizado no monte Palatino, na gruta de Rômulo e Remo. Seus sacerdotes eram chamados Lupercos que usavam chicotes feitos com couro de cabra. Sua finalidade era atender aqueles que buscavam a fertilidade.

Menard acentua que essa característica de fecundidade nos rebanhos era caráter comum a todos os primitivos deuses itálicos, donde receber Fauno as honras dos pastores.

Fauno era cultuado especialmente por seus dons oraculares. Suas previsões se davam nas matas e eram comunicadas aos que as desejavam por meio de sonhos. Para isto, era necessário o consulente dormir nos lugares sagrados ao deus, sobre peles de animais adrede sacrificados a ele.

A caverna de Fauno

A gruta mitológica em que a Loba de Marte teria alimentado os gêmeos Rômulo e Remo, chamada de Lupercal, teria o mesmo nome que o lugar de adoração a Fauno (em sua variante devocional de Faunus Lupercus); para Hacquard, por exemplo, tratava-se apenas de uma coincidência de nomes.

Em 2007, entretanto, o Ministro da Cultura italiano, Francesco Rutelli, anunciou a localização, em Roma, deste santuário. Possui adornos em suas paredes, teto em abóbada e suas dimensões são de 6,5 metros de altura e 7 metros de diâmetro. A caverna, agora lugar real e não fantástico, foi datada como sendo da Idade do Bronze.

Profecias

Na caverna, segundo a história, os romanos obtinham as profecias de Fauno. Gibbon narra a ascensão de Carus ao domínio de Roma, sem a aprovação do Senado. Uma écloga, então composta, lisonjeava o novo imperador: dois pastores, evitando a canícula do meio-dia, descansam na caverna de Fauno.

Sob uma faia frondosa, descobrem recentes escritos; a divindade rural descrevia, em versos proféticos, a felicidade do império sob o reinado de tão grande príncipe. Fauno saudava a chegada daquele herói que, recebendo nos ombros o peso do mundo romano, vai extinguir as guerras e as facções, e mais uma vez irá restaurar a inocência e segurança da idade de ouro.

Hacquard lembra, ainda, o episódio onde Numa Pompílio - um dos reis míticos de Roma - teve de acorrentar sua efígie a fim de obter seus préstimos oraculares.

Lupercais e Faunália

As festas dedicadas a Fauno (Lupércio) ocorriam a 15 de fevereiro, que teria sido a data da fundação do seu templo, o Lupercal. Essa festa era essencialmente rural, uma vez que Fauno Lupércio tinha a precípua função de proteger os rebanhos ("Lupercius" seria, assim, "que repele os lobos").

Eram uma forma de purificação, com fito de obter grande produtividade na agricultura e na criação. Teria sido iniciada por Evandro e persistiu até o século V quando a Igreja a incorporou, transformando-a, segundo Georges Hacquard, na festa da Purificação da Virgem.

Bailey ressalta que a notoriedade dessa festa chegou até a atualidade graças ao uso político que dela fez Marco Antônio, em 44 a.C..

Em 5 de dezembro outro festival se realizava, a Faunália, similar às Lupercais. Neles os sacerdotes de Fauno, chamados Luperci, andavam pelas ruas, ministrando chibatadas nas pessoas com açoites feitos com pele de cabra.

Os faunos

Divindades do campo teriam vida bastante longa, embora não fossem imortais; similares aos silvanos de Roma e aos sátiros gregos.

Também se diferem pouco dos pãs e dos egipãs, sendo pequenas divindades que desempenhariam papel análogo ao dos heróis míticos, que são intermediários entre os deuses e os homens, segundo Menard, sendo, portanto, intermediários entre os animais, de vida puramente instintiva - neste caso o bode - e as divindades.

Segundo este autor, sua criação deve-se apenas à escultura, pois nada há nos filósofos referentes a eles.

Dillaway assim define os faunos, bem como aos pãs (sátiros): "Eles eram os filhos de Fauno e Fauna, ou Fátua, rei e rainha dos latinos, e embora considerados semideuses, era provável que morriam depois de uma vida longa. Realmente, Arnóbio mostrou que o pai deles, ou chefe, viveu apenas cento e vinte anos. Os faunos eram deidades romanas, desconhecidos para os gregos. O Fauno romano era o mesmo que o Pã grego; e, como nos poetas, nós achamos menções freqüentes de faunos, Pãs, ou Panes, no número plural, mais provável que os faunos fossem os mesmos pãs, e todos descendem de um só progenitor."

Natureza animal dos faunos

Menard traz uma importante citação, em seus estudos sobre as obras de arte que retratam faunos e sátiros, que reporta à natureza distinta de sátiros e faunos, apesar de ele próprio confundir a ambos nas descrições que faz, tratando-os por sinônimos. Reproduz a seguinte passagem do crítico Clarac, que diz:

"(...) Chamei Fauno a essa estátua, com os escritores que me precederam, mas o seu verdadeiro nome deve ser Sátiro. Não se pode duvidar de que Fauno seja apenas uma divindade da mitologia romana, e o belo mármore é indubitavelmente ou uma estátua grega, ou cópia de uma estátua grega. É sabido que os sátiros, na antiga mitologia, tinham formas humanas com exceção das orelhas e da cauda de cavalo. Os faunos se lhe assemelhavam, mas, depois de Zêuxis, passaram a ter cauda de bode."

Fonte: Wikipedia


sábado, 1 de dezembro de 2007

Satyrus, Faunus & Cia




Imagens, ilustrações, desenhos, esculturas de Sátiros e Faunos com Ninfas, Bacantes, Deusas e Deuses. Se deixe seduzir!!!...