No último dia 5 de dezembro, depois de um intenso dia de trabalho, fui rapidamente para casa na intensão de realizar um ritual em homenagem a todos os Faunos, Sátiros, Silvanos e Silenos, celebrando a Faunália... Já em casa, depois de um banho de ervas, preparei tudo que já havia comprado para ocasião, abri um vinho e celebrei...
Pedi benções a todas as pessoas que amo e estimo nesta vida, que convivem comigo ou que por algum motivo estão longe. Agradeci pelo que havia conquistado, e ao final, depois de um período de introspecção e meditação, encerrei com um sentimento bom de missão cumprida, e fui descansar.
Nu, deitado em minha cama, e recebendo a brisa úmida cheirando a mato molhado vindo da Serra da Cantareira, adormeci.
Agora vem o motivo pelo qual resolvi dividir com todos, essa experiência. Num sonho muuuuuito real, me vi efetivamente como um fauno, numa espécie de gruta em meio a uma mata densa, juntamente a outros irmãozinhos faunos.
Riamos, dançávamos e bebíamos ao som de flautas e tambores. Quando luzes em meio a mata nos fez parar. Neste momento passamos a ouvir um delicioso canto, com vozes femininas, ficando cada vez mais alto, a medida que as luzes se aproximavam da gruta.
Em pouco tempo, já podíamos ver um grande grupo de ninfas cantando. Umas com tochas nas mãos, outras com jarros de vinho, e algumas com tachos de frutas, se aproximando. Quando todo o grupo de ninfas finalmente parou em frente a gruta. Um grito na mata anunciou a chegada de Pan, que pessoalmente veio agradecer a homenagem das ninfas e dar-lhes boas vindas.
Nós faunos totalmente entorpecidos e seduzidos pelo perfume e canto das ninfas, ao invés de cortejar, passamos a ser vagarosamente cortejados por elas. Em poucos minutos todos ali ardiam em êxtase e prazer, aos olhos, sorrisos, e bênçãos de Pan. Que permaneceu sentado em meio a folhagens no alto de uma pedra, apenas observando.
Desfalecidos de tanto gozo e prazer, nós faunos, nos despedíamos das ninfas. Cada um dos faunos presenteou uma ninfa com um cristal e uma flor. Quando todas ninfas, novamente agrupadas se preparavam para partir, Pan levantou-se, sorriu, e ergueu os braços, neste momento uma espécie de chuva de gotas brilhantes de prata, desciam lentamente da copa das árvores e caiam sobre todos.
Ainda sorrindo, Pan fechou os olhos e gritou... Neste momento eu acordei abruptamente, mas continuei a ouvir o grito de Pan ecoando na mata da Cantareira.
Nitidamente suado, como se tivesse dançado a noite inteira, levantei, caminhei até a sacada e vi o sol nascer por entre as árvores. Neste momento, uma sensação de paz me invadiu e permanece até agora.