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sábado, 28 de agosto de 2010

Cortejo dionisíaco invade o Luxúria

Recebi um convite esta semana (imagem abaixo), e seu contexto acabou me motivando a escrever aqui.


Se trata de um convite para mais uma festa do Projeto Luxúria...  Não sei dizer a razão, mas adoooooooooro as "festinhas" deste projeto...rsrsrs... A cada mês um novo tema faz a cabeça da maioria dos seus freqüentadores fervilhar na busca da melhor produção.

Para quem não conhece, todo primeiro sábado do mês, aqui na capital paulista, um grupo de pessoas se encontra para uma noite de performances eróticas, fetiches e brincadeiras sensuais. Uma festa em que os participantes são convidados a vivenciar suas fantasias com toda a liberdade. 


O fetichismo está na imaginação de cada um, é uma forma de interagir e vivenciar as próprias fantasias e também de explorar a imaginação alheia. Sedução, provocação, dor, sadomasoquismo, podolatria são apenas alguns poucos exemplos do que pode ser o fetichismo.


Reconhecido por seus trabalhos para televisão como figurinista pela grife "Escola de Divinos" (www.escoladedivinos.com.br), e também pela organização de diversos eventos em São Paulo, o estilista Heitor Werneck (foto abaixo), é o responsável pelo projeto, idealizado juntamente com o produtor multimídia e DJ, Nagash.


O Projeto Luxúria (www.projetoluxuria.com.br) tem como proposta a volta do chamado "dresscode" na noite de São Paulo, visando acostumar o público à experiência de usar roupas temáticas na noite. A referência são os tradicionais eventos de fetiche de clubes norte-americanos e ingleses, aliando performances circenses e dramáticas. 

Como um exemplo, podemos citar a londrina "Torture Garden" (www.torturegarden.com), festa que o público transformou em label, com merchandising em camisetas e diversos acessórios. Festas desse tipo já foram realizadas de forma itinerante em São Paulo, obtendo grande repercussão e apoio de mídia.


Durante muito tempo o "Projeto Luxúria" foi realizado no "Audio Delicatessen" (www.audiodelicatessen.com.br) situado no bairro de Pinheiros, mas com o constante crescimento de freqüentadores, a festa passou a ser realizada no "Constantine Club" (www.constantineclub.com.br), na região de Moema.


O "dresscode" é um meio de filtrar todas aquelas pessoas que não compartilham o espírito de uma festa fetichista. Embora o uso de vinil ou couro preto sejam suficientes para acesso à festa, um evento moderno de fetiche é mais sobre fantasia e transformação. Explorando suas mais profundas vontades, e refletindo-as com criatividade em seu visual.


A partir do tema da festa, os participantes podem se inspirar e desenvolver novos fetiches. É importante deixar claro que não se trata de uma festa à fantasia, o tema deve ser explorado sempre com um olhar fetichista.


O objetivo da festa é a interação, seja ela filiada ao tema ou fora dele. Os organizadores orientam os freqüentadores a não se sentirem intimidados caso não haja uma elaborada produção visual encima do tema, mas que isso seja usado como um grande estímulo. 


Você será muito bem aceito, esteja com seu visual fetichista ou todo de preto. A produção te dará vantagens na entrada e também servirá como forma de conhecer outras pessoas na festa. O mais importante é se soltar, dar asas à imaginação e interagir positivamente.


Mas é bom ficar claro que não são admitidas á festa de forma alguma, as pessoas que trajarem roupas casuais ou do dia-a-dia. Você está fora do "dresscode" se estiver com a roupa do trabalho, de camiseta, tênis, boné, malha ou jeans de qualquer cor ou tipo, a menos que esteja dentro de um contexto remetido ao tema. Por exemplo, o jeans seria algo aceitável para um visual no tema "cowboy". 


Considerações a parte, o tema para a próxima festa do Projeto Luxúria, marcada para o dia 11 de setembro, às 22h00, (do qual recebi o convite... confira a imagem no topo do texto) é "Dionísio". Embora a imagem não seja de Dionísio, ai esta um dos membros mais ilustres de seu cortejo... Um jovem Fauno!... (Porque será que eu gostei?...rsrsrs)


Para quem quiser mais informações sobre o projeto, sobre a festa, ou sugestões de dresscode para o tema, acesse: www.projetoluxuria.com.br

Para incluir o nome na lista (o que garante um desconto), é enviar um email para projetoluxuria4@gmail.com até no máximo 18h00 do dia da festa.

Caso decida ir, nos encontramos por lá!... };^)> 

Fotos: Thiago Marzano (exceto a do Heitor Werneck)

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Meu avô era Dionísio

Nos últimos dias, meu avô por parte de mãe, tem passeado em meus sonhos e pensamentos. E por essa razão resolvi escrever sobre ele.

Muitas vezes em minha vida ouvi a frase... "Pais são pra educar, avós são pra estragar."

Mesmo pequeno eu entendia o que isso queria dizer. Minha mãe e meu pai estavam sempre ali colocando limites e ditando regras. Já meus avós passavam a maior parte do tempo mimando a gente, e as vezes até nos ajudando a fazer "arte". Mas em todos os casos, ficava claro o amor que todos sentiam por nós.

Mas hoje falarei especificamente de Benedito Blandino, um charmoso e esbelto mulato (filho de um italiano branco e com uma brasileira negra), sempre vaidoso e preocupado com a tendências da moda, sem fugir ao seu estilo. 

Cliente assíduo de boutiques e salões de beleza e estética masculinos, ele sempre se apresentava perfumado, de cabelos tratados e bem cortados, unhas dos pés e das mãos feitas, bigode fino e aparado, com a pele sempre hidratada e macia. Amante da boa comida, de bebidas, das festas, da dança, da música, e de tudo que pudesse lhe proporcionar prazer e alegria, freqüentava desde ambientes muito sofisticados, até as altas rodas da boemia paulistana e carioca.  

Sem dúvida um hedonista com todas as letras, que tinha como maior vício a compulsividade da conquista, e a eterna paixão pelas mulheres. Fato que fez minha avó sofrer muito (ainda com minha mãe e minha tia pequenas), até ela decidir que viveria apenas para suas filhas. Hoje sei que depois disso, os dois passaram a ter uma vida praticamente de conhecidos dividindo a mesma casa. Mas conviveram juntos até 1978, quando ele faleceu aos 56 anos, por complicações nos pulmões em decorrência do vício do cigarro.

Em nenhum momento, relatando isso, estou aprovando ou não, as atitudes de meu avó com relação ao casamento com minha avó. Aqui só quero externar as deliciosas experiências que eu como neto pude vivenciar com ele.

Graças a esse avó dionisíaco, entre meus 3 a 4 anos de idade, fui iniciado no mundo da música, da dança, das festas, nos prazeres e belezas do mundo terreno, e na força espiritual dos orixás (meu avó era de camdomblé).

Quase todos os finais de semana que passei com ele, ficávamos até altas horas da madrugada ouvindo seus discos, que passavam pelo samba, bolero, tango, rumba, mambo, bossa nova, jazz, indo por vezes até a música clássica e a ópera. E nesses momentos ele falava sobre sua vida, contava histórias, revelava curiosidades sobre os artistas, sobre a vida na noite, e o encanto das mulheres.  

Exímio dançarino, ele me ensinou dançar todos os ritmos, e desenvolver um prazer especial pela arte da dança. Tanto que me tornei bailarino por quase oito anos. 

Ele me levava para conhecer a vida cultural da cidade, os monumentos, os lugares históricos, e falava sobre tudo isso com uma paixão que envolvia qualquer pessoa.

Lembrar de meu avó, me faz lembrar de Dionísio. Da alegria, e do sentimento de festa que sua simples presença me trazia. 

Independente do erros, ou atitudes impensadas que ele tenha cometido, Seu Blan (como gostava de ser chamado) me amava e foi um avó muito dedicado. 

O amor que desenvolvi pela arte e a cultura, e os sentimentos hedonistas que exalam dos meus poros, tiveram sua semente plantada por ele.  

Com um avó Dionísio, e um neto filho de Pan, ficou difícil não ver na minha vida um grande cortejo.  Evoeh!...