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sábado, 24 de março de 2012

Tirada de Tarot - Equinócio de Outono/2012 (hemisfério sul)

Entrada do Outono, 20 de março, às 02h14 (horário de Brasília). 

A lâmina que tirei para o período do equinócio ao solstício: 

O Aeon

Eis a carta deste Equinócio. Tendo com regentes, o elemento fogo (energia purificadora, que torna mais sutil o que é explícito e mais claro o que é velado), a letra hebraica Shin (terceira letra-mãe chamada "Dente", que remete a idéia de "devorar", "assimilar" tudo que nos cerca), e o caminho cabalístico Malkut-Hod (que conecta a Vontade de Manifestação com o Reino Manifesto), o arcano maior XX (20) do Tarot de Thoth, de Aleister Crowley, tem o nome de "O Aeon" (termo grego que significa A Era, O Ciclo de tempo) e não mais "Julgamento" que comumente vemos em outros Tarots. Isso se dá, pois ele demarca o nascimento de uma Nova Era, de um Novo Ciclo, onde não mais existe a concepção de julgamento ou de punição de uma divindade sobre seus adoradores. 

Com figuras sobrepostas e entremeadas, em que predominam tons azulados e alaranjados, vemos o corpo de uma mulher de cor azul curvado em forma de útero e também no formato da letra grega Omega, representando Nuit, ou Nut, a deusa egípcia do céu, que no período da noite engole o Sol e pela manhã o dá à luz novamente. Vemos também uma esfera de fogo alada e vermelha, representando Hadit, o compenheiro da deusa do céu, e o ponto focal da Consciência.

E da união de Nuit e Hadit, esta a representação do surgimento da Nova Era, da qual Hórus, o deus do Sol, visto como uma divindade dupla (com aspectos introvertidos e extrovertidos da força solar), é o representante.

Este arcano também demarca o resgate das raízes espirituais do mundo ocidental. Temos em primeiro plano, com um cacho do lado da cabeça e a serpente Ureus (símbolo de sabedoria), a criança Hórus (Hoor-pa-kraat), um grande menino coroado, de olhos profundos, nu, livre e inocente, mostrando a superação de velhas estruturas, pisando sobre o passado, e sobre as aberrações cometidas sob os direitos mais básicos do ser humano: o direito a ser Feliz. A criança não nos mostra mais o nascimento, vida e morte, mas a continuidade da existência: a Eternidade.

A energia do Sol é revelada em todo seu potencial em seus aspectos, concentrado e expansivo, sugerindo que a mente e a consciência se reconhecerão como aspectos diferentes de uma mesma coisa. A mente está ligada à alma (corpo/personalidade) e a consciência, por sua vez, está ligada ao espírito (essência/sem corpo). O arcano sugere o fim dos conflitos internos gerados pela dualidade presente em todas as formas de vida. 

O menino Hórus leva a mão esquerda à boca, evocando simultaneamente o ato infantil de chupar o dedo, e o Sinal de Silêncio, comumente usado nos rituais thelêmicos. E este Sinal de Silêncio resume a idéia do Novo Aeon, o Aeon sem palavra, da iniciação pelo silêncio.

Crowley escreveu apropriadamente quando descreveu Thelema: "…representa não uma nova religião, senão uma nova cosmologia, uma nova filosofia, uma nova ética. Coordena os inconexos descobrimentos da ciência. Seu alcance é tão vasto que resulta impossível aludir sequer, a universalidade de sua aplicação… O Æon de Hórus, do Filho, não é meramente um símbolo de crescimento e sim da completa independência e inocência moral. Podemos pois esperar que, o Novo Æon liberte a humanidade de sua falsa pretensão de altruísmo, de sua obsessão pelo medo e da sua consciência do pecado."

Com conotação direta ao tempo, existem algumas divergências quanto período de duração de um Aeon, mas esta é uma discussão menor. Cada Era possui um período de nascimento, estabelecimento, solidificação, decadência e desaparecimento. O período de transição entre um Aeon e outro, é conhecido em Thelema como Aeon de Maat, a neter egípcia do Equilíbrio e da Lei. Esse período relativamente curto é caracterizado pelo avanço rápido de tecnologias e da psique humana, mas também por graves crises planetárias, como que a humanidade presenciou nos meados do século XX.

Temos neste arcano as principais "divindades" que compõem o panteão de Thelema: Nuit, Hadit, e o deus Thoth (Ra-Hoor-Khuit), o Mestre que representado adulto entronado e conquistador. Porém temos muito mais do que isto, vemos a única e verdadeira divindade que rege todo o Aeon que é Hoor-paar-kraat: o ser humano que é a única divindade digna de ser adorada. Hoor-paar-kraat é a Criança que é acolhida perante o Universo. 

Na base da carta, além de uma grande letra hebraica Shin, podemos notar três bebês prestes a nascer, representando a renovação em operação, e também o princípio, feminino, masculino e andrógino, típicos do Novo Aeon.

Percebemos de maneira clara que esta é, exotericamente, a última carta dos Arcanos Maiores, pois a seguinte demarca o início de uma nova etapa: onde um ciclo se encerra e outro se inicia. O arcano seguinte é a perpetuação de um novo e desconhecido caminho.

Diante do número 20 (XX) que marca esse arcano, podemos analisar que o número 10 fecha o primeiro ciclo, o número 20 fecha o segundo, o que se acomoda bem com a idéia de um Primeiro Aeon (regido por Áries, por Ísis, pela Deusa, pelo Deus Chifrudo), um Segundo Aeon (regido por Peixes, por Osíris, por Jesus, pelo Deus Sacrificado), e um Terceiro Aeon (regido por Aquário, por Hórus, pelo Deus Guerreiro e Conquistador, pelo Deus Criança, pelo Deus Andrógino)

Ditando os paramentos deste Equinócio até o próximo Solstício, que por coincidência, marca a efetiva entrada da humanidade na Era de Aquário, esta carta, este arcano, nos convida a dar uma nova ênfase em nossas vidas. Não importa em que âmbito. É hora de deixar os velhos hábitos, e permitir que novos ventos soprem sobre os campos empoeirados. A carta nos aconselha a não se prender a tradições ultrapassadas e não apostar mais nas coisas aparentemente já comprovadas. Em vez disso, nos abramos para novas evoluções e tendências atuais, às quais o futuro pertence.

A partir de agora, um novo tempo se inicia em nossas vidas. Isso pode significar tanto a descoberta e o desenvolvimento de interesses e habilidades, até então ocultos ou velados, como uma evolução decisiva e ampliadora da consciência, ou ainda uma mudança concreta no âmbito pessoal. Esse período pede que cuidemos cautelosamente da semente do novo, dando-lhe tempo e espaço necessários para que cresça saudavelmente.

Falando sobre os aspectos thelemicos, ligados diretamente a carta do Tarot em questão, o Liber AL vel Legis (Livro da Lei) deixa claro que a existência é puro prazer. Não existe mais submissão ou medo perante qualquer deus e seus escravos. Uma Nova Era surgiu dos escombros de civilizações decadentes e de seitas escravocratas. Liberdade gera responsabilidade. Buscamos no princípio da civilização humana as nossas raízes, para criarmos um futuro onde a Liberdade, o Amor, a Vida e a Luz deverão brilhar nas palavras e nas ações de cada ser humano. A inocência da Criança nos libertou do tirano e de suas covardias. Rompemos assim, definitivamente, com toda noção de dor e de sofrimento, é hora de abraçar o novo e ser Feliz!...

sábado, 24 de dezembro de 2011

Tirada de Tarot - Solstício de Verão/2011 (hemisfério sul)

Entrada do Verão, 22 de dezembro, às 05h30 (horário de verão de Brasília). 

A lâmina que tirei para o período do solstício ao equinócio: 

Rainha de Paus

Personificando as águas do elemento fogo, sua fluidez e cor, a Rainha de Paus do Thoth Tarot de Aleister Crowley,  tem uma base semelhante com o Cavaleiro de Copas, que combina elementos opostos quando nem dos contrastes podem superar o outro, tendo assim um equilíbrio instável entre eles. Além disso, ela rege no zodíaco do vigésimo primeiro grau de Peixes ao vigésimo grau de Áries. E na Ávore da Vida esta ligada a Binah.

Sua coroa sobre sua cabeça com o globo alado e saem doze raios em chama. Seu longo cabelo vermelho dourado desliza sobre sua armadura de cota de malha em escamas. Ela está sentada num trono de chamas disposto em luz geométrica pelo poder material dela. 

Abaixo do trono, as chamas ondulantes são estáveis. Ela segura um bastão na mão esquerda, o qual é, entretanto, tem na parte superior um cacho de pinhas em formato de fruta-do-conde, que remete aos mistérios de Baco. É servida por um leopardo agachado de cabeça erguida sobre cuja cabeça ela pousa a mão direita. 

O rosto dela expressa o êxtase de alguém cuja mente está bem introspectivamente seduzida pelo mistério alimentado sob seu peito.

As características da rainha são adaptabilidade, energia persistente, autoridade tranqüila que ela sabe como usar para aumentar sua atração. Ela é amável e generosa, mas a oposição a impacienta. Tem imensa capacidade para a amizade e o amor, mas sempre mediante sua própria iniciativa.

Há tanto orgulho nesta carta quanto no cavaleiro, mas falta-lhe a nobreza espontânea que escusa aquele erro. Não se trata de orgulho genuíno, mas sim de vaidade autocomplacente e mesmo esnobismo.

Como rainha, ela é a mãe de seu elemento, a emoção e a sensibilidade, tendo assim seus atributos de amor, compreensão e simpatia, suas habilidades para formar e criar, os gastos de confiança e cordialidade. O caráter de fogo fornece orgulho, paixão, inspiração e poderosa independência, o seu carisma, força e expansividade.

Devido ao desequilíbrio na sua personagem, a Rainha de Paus pode facilmente mudar para o seu lado escuro, tornando-se mal-humorada, furiosa, vingativa, extremamente dominante e possessiva, podendo fazer de algo mínimo, uma razão para alimentar um rancor por anos. Ela nunca se esquece e nunca perdoa. 

Diante destes aspectos da Rainha de Paus, podemos esperar para este período de regência, uma forte tendência a estarmos no controle, ditando o que será e não será... Este é um período em que nos sentiremos fortes, sabendo exatamente o que queremos, e preparados para realizar as tarefas por mais complicadas que sejam, e independente se haverá ajuda ou não. 

E graças a essa determinação, as chances de ter êxito ao tentar dar passos decisivos, serão imensamente grandes. Essa postura também ajudará a sermos bem mais convincentes as pessoas a nossa volta, que vão se sentir motivadas a nos acompanhar em idéias e ações. 

Em síntese, a autoconfiança sadia, o espírito empreendedor, a impulsividade pela auto-realização, aliando carisma, generosidade e maturidade vão estar potencializados neste período. 

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Tirada de Tarot - Equinócio de Primavera/2011 (hemisfério sul)

Entrada da Primavera, 23 de setembro às 06h04 (horário de Brasília). 

A lâmina que tirei para o período do equinócio ao solstício: 

Os Amantes

Os Amantes do Thoth Tarot de Aleister Crowley, é uma carta atribuída a letra hebraica Zain, que significa Espada, e a estrutura da carta é portanto o arco de Espadas abaixo do qual o casamento real acontece. Ela se refere ao signo de Gêmeos, regido por Mercúrio. E no caminho da Árvore da Vida, seu trajeto é de Binah a Tiphareth.

Representa o casamento dos opostos e o inteiro das qualidades masculinas e femininas, e a união entre os Amantes. Esta vêm junto com o Leão e com o Escorpião (fogo e água) criando a dualidade. Com eles, existe a divisão e a separação. 

A mais alta união dos Amantes é o reconhecimento da individualidade, mesmo assim eles são ambíguos; cada um corresponde a contra - parte e a diferença do outro. A multiplicidade transforma a bipolaridade em ágape (a mutabilidade do amor). 

É o casamento alquímico entre o Imperador e a Imperatriz, o número seis é a síntese, a culminação e a integração. Os Amantes é a carta da união dos opostos e a antipatia do semelhante. O princípio ativo é espalhar e o princípio passivo é reunir e fecundar. 

Cada um dos símbolos nesta carta traz em si o mesmo duplo, de modo que os significados formam uma série divergente e a integração da carta só pode ser reconquistada mediante casamentos e identificações reiterados, e alguma forma de hermafroditismo.

A chave é que a carta representa a Criação do Mundo. Os hierarcas mantinham este segredo como de transcendente importância. Conseqüentemente, os iniciados que publicaram o Tarô para uso durante o Aeon de Osíris substituíram a carta original acima descrita em  The Vision and the Voice.
 
Estavam interessados em criar um novo universo próprio; eles eram os pais da Ciência. Seus métodos de trabalho, agrupados sob o termo genérico de alquimia, jamais foram tornados públicos. O ponto interessante é que todos os desenvolvimentos da ciência moderna nos últimos cinqüenta anos têm proporcionado às pessoas inteligentes e instruídas a oportunidade de refletir que toda a tendência da ciência tem sido retornar aos objetivos e mutatis mutandis aos métodos alquímicos. 

O segredo observado pelos alquimistas tornou-se necessário devido ao poder de perseguição de Igrejas. Tão amargamente quanto os beatos intolerantes lutavam entre si, eles estavam igualmente preocupados em destruir a ciência infante, a qual, como reconheciam instintivamente, colocaria um fim na ignorância e na fé das quais dependiam o poder e a riqueza deles.

O assunto desta carta é a análise, seguida pela síntese. A primeira pergunta feita pela ciência é... "Do que são compostas as coisas?"... Respondida esta pergunta, a seguinte pergunta é... "Como iremos recombiná-las para o nosso máximo proveito?"... Isto resume toda a política do Tarot.

A figura encapuzada que ocupa o centro da carta é uma outra forma de O Eremita. Ele próprio é uma forma do deus Mercúrio. Ele está rigorosamente encoberto, como para significar que a razão última das coisas está num domínio além da manifestação e do intelecto (como explicado alhures, apenas duas operações são, no final das contas, possíveis: análise e síntese). Ele está de pé no sinal do entrante, como se projetando as forças misteriosas da criação. 

Ao redor de seus braços se acha um rolo de pergaminho, indicativo da Palavra que é semelhante à essência e mensagem dele. Mas o sinal do entrante é também o sinal da bênção e da consagração, de maneira que sua ação nesta carta é a celebração do casamento hermético. Atrás dele estão as figuras de Eva, Lilith  e Cupido. 

Este simbolismo foi incorporado para preservar em alguma medida a forma original da carta e mostrar sua origem, sua herança e sua continuidade com o passado. Na aljava de Cupido está inscrita a palavra  Thelema que é a Palavra da Lei. Suas setas são quanta de Vontade. É assim indicado que esta fórmula  fundamental de operação mágica, análise e síntese persiste através dos Aeons.

Podemos passar agora a considerar o próprio casamento hermético. Esta parte da carta é uma simplificação de o Casamento Químico de Christian Rosenkreutz, uma obra prima excessivamente extensa e prolixa para ser citada proveitosamente aqui. Mas a essência da análise é a gangorra contínua de idéias contraditórias. É um glifo da dualidade. As pessoas da realeza envolvidas são o rei negro ou mouro com uma coroa de ouro e a rainha branca com uma coroa de prata. Ele está acompanhado do leão vermelho, e ela da águia branca. 

Estes são símbolos dos princípios masculino e feminino na natureza; são, portanto, igualmente, em vários estágios da manifestação Sol e Lua, Fogo e Água, Ar e Terra. Em química eles se apresentam como ácido e álcali, ou (mais profundamente) metais e não-metais, tomando-se estas palavras em seu mais lato sentido filosófico a fim de incluir o hidrogênio por um lado e o oxigênio, por outro. Neste aspecto, a figura encapuzada representa o elemento protéico do carbono, a semente de toda a vida orgânica.

O simbolismo do masculino e o feminino é continuado ainda pelas armas do rei e da rainha. Ele porta a Lança Sagrada e ela, o Cálice Sagrado; as outras mãos deles estão unidas, como que consentindo com o casamento. Suas armas são apoiadas por crianças gêmeas, cujas posições estão trocadas, pois a criança branca não só oferece apoio ao cálice como também carrega rosas, enquanto que a criança negra, segurando a lança de seu pai, carrega também o porrete, um símbolo equivalente. 

Na base do conjunto está o resultado do casamento sob forma primitiva e pantomórfica: o ovo órfico alado. Este ovo representa a essência de toda essa vida sujeita a esta fórmula do masculino e feminino. Prossegue o simbolismo das serpentes com as quais o manto do rei está ornamentado,  e das abelhas que adornam o manto da rainha. O ovo é cinza, misturando branco e preto, de modo a significar a cooperação das três Superiores da Árvore da Vida. A cor da serpente é púrpura, Mercúrio na escala da rainha. É  a influência desse deus manifestada na natureza, enquanto que as asas têm cor carmesim, a cor (na escala do rei) de Binah, a Grande Mãe. 

Neste símbolo existe, portanto, um glifo completo do equilíbrio necessário ao começo da Grande Obra. Mas, no que concerne ao mistério final, isto é deixado sem solução. Perfeito é o plano para produzir a vida, porém a natureza desta vida é ocultada. É capaz de assumir qualquer forma possível, mas qual forma ? Isto depende das influências presentes na gestação.

A figura no ar apresenta certa dificuldade. A interpretação tradicional diz que se trata de Cupido, e não fica claro, a princípio, o que Cupido tem a ver com Gêmeos. Nenhuma luz é lançada sobre este ponto ao considerar-se a posição do caminho na  Árvore da Vida, pois Gêmeos conduz de Binah a Tiphareth. E aí, conseqüentemente, se levanta toda a questão de Cupido. Os deuses romanos geralmente representam um aspecto mais material dos deuses gregos dos quais são derivados, neste caso, Eros. 

Eros é o filho de Afrodite e a tradição diverge quanto a seu pai ser Ares, Zeus ou Hermes, quer dizer, Marte, Júpiter ou Mercúrio. Sua aparência nesta carta sugere que Hermes seja o verdadeiro progenitor e este parecer é confirmado pelo fato de não ser em absoluto fácil distingui-lo da criança Mercúrio pois eles têm em comum o desregramento, a  irresponsabilidade e o gosto por pregar peças. 

Mas nesta imagem existem características peculiares. Ele carrega um arco e flechas numa aljava dourada (é representado, por vezes, com uma tocha); tem asas douradas e está vendado. Daí pode parecer que ele representa a vontade inteligente (e, ao mesmo tempo, inconsciente) da alma de unir a si mesma com tudo e todos, como foi explicado na fórmula geral relativa à agonia da separação.

Não se atribui importância muito especial em figuras alquímicas ao Cupido. Contudo, num certo sentido, ele é a fonte de toda a ação, a libido para expressar zero como dois. De um outro ponto de vista, é possível considerá-lo como o aspecto intelectual da influência de Binah sobre Tiphareth pois (em uma tradição) o título da carta é  “Os Crianças da Voz, o Oráculo dos Deuses Poderosos”. Deste ponto de vista, ele é um símbolo da inspiração, descendo sobre a figura encapuzada, que é, neste caso, um profeta que opera a união do rei e a rainha. Sua flecha representa a inteligência espiritual necessária nas operações alquímicas, mais do que a mera fome de executá-las. 

Por outro lado, a flecha é peculiarmente um símbolo de direção, e é, portanto, apropriado colocar a palavra Thelema em letras gregas sobre a aljava. Deve-se também observar que a carta contraposta, Sagitário, significa Aquele que porta a Flecha, ou o Arqueiro. Estas duas cartas são tão complementares que não podem ser estudadas isoladamente para completa interpretação.

Os Amantes regendo este equinócio, anunciam que nosso coração batera mais forte. A causa disso talvez seja uma pessoas que já conheçamos há muito tempo, ou que tenha entrado recentimente em nossas vidas, uma tarefa que nos dará muita satisfação ou talvez até uma experiência valiosa que fará o nosso coração transbordar. Seja lá como for, a carta no aconselha a se aproximar da situação com muito entusiasmo. 

É hora de dizer "sim" do fundo de nossa alma. Mesmo que tenhamos condicionado a nossa felicidade a outras pessoas e a fatores externos, seremos capazes de reconhecer agora que o caminho para uma profunda realização começa com a superação de resistências e contradições interiores. Façamos um esforço para deixar as coisas claras. Isso nos dará forças para ultrapassar as barreiras iniciais, afastar possíveis incoveniências, apaziguar conflitos, e no final, comemorarmos o resultado à vontade.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Tirada de Tarot - Solstício de Inverno/2011 (hemisfério sul)

Entrada do Inverno, 21 de junho às 14h16 (horário de Brasília). 

A lâmina que tirei para o período do solstício ao equinócio: 

Dois de Espadas

O Dois de Espadas do Thoth Tarot de Aleister Crowley, é uma carta regida por Chokmah no elemento Ar (pensamentos), e sendo de número dois indica parceria e conciliação. As duas espadas cruzadas remetem a uma trégua, a uma disposição para o amor e a realização ao invés da luta. A rosa azul de cinco pétalas, por onde as espadas se unem cruzadas, significa a suavidade, o apaziguamento, a paz. Mas uma paz diplomática, paz dos acordos. 

As formas geométricas brancas, parecendo hélices, irradiadas pela rosa e se relacionando com as qualidades aéreas da carta, remetem muito ao equilíbrio, a uma ordem hamônica, e enfatiza mais uma vez a paz. As duas adagas ou espadas menores, uma na parte de cima da carta com uma meia-lua na ponta, e na parte de baixo da carta com o símbolo astrológico de Libra, remetem mais uma vez ao equlíbrio e a tranquilidade. 

A Lua em Libra leva aos sentimentos equilibrados e pacíficos, a necessidade de harmonia plena, remetendo a paz interior, a capacidade de tomar decisões. Decisões estas, referentes a situações ou relacionamentos que engerdram paz espiritual. A Lua é mudança, mas a Natureza é pacífica, e além disso Libra representa o equilíbrio. O que, entre si, regulam a energia das espadas, representa a influência da Mãe, de forma harmonizadora que ajusta o antagonismo latente que é natural ao naipe de espadas. 

O naipe de espadas, governando todas as manifestações intelectuais, se mostra praticamente de forma sempre complicada e incerta, pois se trata do naipe mais sujeito a variações do que qualquer outro. Representa uma agitação geral  resultante do Fogo com a Água em seu casamento, e procede com o aparecimento da Terra, para a cristalização. 

Mas a pureza e exaltação de Chokmah, são de tamanha força na carta, que manifesta poderosamente a melhor idéia possível para o naipe. A energia subexiste acima do ataque violento de ruptura. E esta calma relativa é frisada pela atribuição celeste da Lua em Libra. 

Uma profunda paz espiritual (representada pela cor amarela na carta) combina-se com as energias da reorganização (representada pela cor verde). Este é um estado através do qual as situações podem ser elucidadas e as decisões tomadas de forma intuitiva. A inspiração e as idéias que agora surgem são dignas de atenção. Guarde-as na memória para poder se orientar por elas em tempos de dúvida e confusão, neste período de regência desta carta. 

É hora de descançar as armas. E buscar solucionar as coisas de forma diplomática e satisfatória para todas as partes envolvidas. Não deixe que seja apenas uma paz temporária. Perdoe, recocilie, dê o primeiro passo para resolução, mostre-se disposto a virar a página, e tornar uma situação angustiante em uma relação próspera, harmoniosa e feliz.  

Permita-se um profundo relaxamento, pois você se encontra em ótimas condições para examinar o seu passado, o seu presente, e o seu futuro. Avalie suas percepções, isso lhe trará clareza para decidir seus próximos passos.  

terça-feira, 22 de março de 2011

Tirada de Tarot - Equinócio de Outono/2011 (hemisfério sul)

Entrada do Outono, 20 de março às 23:21 (horário de Brasília). 

A lâmina que tirei para o período do equinócio ao solstício: 

A Imperatriz

A Imperatriz do Thoth Tarot de Aleister Crowley, é uma carta atribuída a letra hebraica Daleth, que significa porta e se refere ao planeta Vênus. A carta é, a se julgar pela aparência, o complemento do Imperador, mas suas atribuições são muito mais universais.

Na Árvore da Vida, Daleth é o caminho que conduz de Chokmah a Binah, unido o Pai à Mãe. Daleth é um dos três caminhos que estão completamente acima do Abismo. Há, ademais, o símbolo alquímico de Vênus, o único dos símbolos planetários que abrange todas as Sephiroth da Árvore da Vida. A doutrina implícita é que a fórmula fundamental do Universo é o Amor.

É impossível resumir os significados do símbolo da Mulher, e por essa mesma razão, a saber, ela continuamente sob formas infinitamente variadas.  Nesta carta ela é mostrada em sua manifestação mais geral. Combina as qualidades espirituais mais elevadas com as materiais mais baixas. Por esta razão, ela está apta a representar uma das três formas alquímicas da energia, o Sal. 

O Sal é o princípio inativo da natureza, é a matéria que precisa ser energizada pelo Enxofre para preservar o equilíbrio rotativo do Universo. Os braços e o tronco da figura , por conseguinte, sugerem a forma do símbolo alquímico do Sal. Ela representa uma mulher com coroa e trajes imperiais, sentada em um trono cujas colunas de apoio sugerem chamas azuis retorcidas, que simbolizam seu nascimento da água, o feminino, o elemento fluido. 

Em sua mão direita ela segura o lótus de Ísis, esse lótus representando o feminino ou o poder passivo; suas raízes estão na terra sob a água, ou na própria água, mas ele abre suas pétalas para o Sol, cuja imagem é o bojo do cálice. É portanto uma forma viva do Cálice Sagrado (o Santo Graal) santificada pelo sangue do Sol. Empoleirados nas colunas de apoio em forma de chama de seu trono estão duas de suas aves mais sagradas, o pardal e a pomba. Há abelhas sobre o seu manto e também dominós circundados por linhas espirais contínuas. A significação é similar em toda parte. Dedicação, fertilidade, pureza.

Em torno dela, como se fosse um cinto, se acha o Zodíaco, mostrando que ela é a Senhora dos Ciclos. Sob o trono, há um piso coberto de tapeçaria bordada com flores-de-lis e peixes, os quais parecem estar adorando a Rosa Secreta, que é mostrada à base do trono.

Nesta carta todos os símbolos são cognatos devido à simplicidade e pureza do emblema. Não há aqui nenhuma contradição; a oposição que parece existir é apenas a oposição necessária ao equilíbrio, o que é indicado pelas luas giratórias.

A heráldica da Imperatriz é dupla: de um lado o Pelicano da tradição alimentando seus filhotes do sangue do seu próprio coração, do outro, a Águia Branca do Alquimista. Com referencia ao Pelicano, em termos gerais, pode-se sugerir o significado identificando-se o próprio Pelicano fêmia com a Grande Mãe e sua prole, com a filha na forma do Tetragrammaton. É porque a filha é filha de sua mãe e pode ser erguida e levada ao seu trono. 

Em outras palavras, há uma continuidade da vida, uma herança de sangue, que junta todas as formas da Natureza. Não há ruptura entre a Luz e as Trevas. Se essas considerações fossem inteiramente entendidas, possibilitaria e reconciliação da teoria Quântica com as equações Eletromagnéticas. 

A Águia Branca neste caso corresponde à Águia Vermelha da Carta-Consorte, O Imperador. Aqui é preciso trabalhar em sentido inverso, pois nestas cartas mais elevadas se acham os símbolos da perfeição; tanto a perfeição inicial da Natureza quanto a perfeição final da Arte; não apenas Ísis, mas também Néftis. Conseqüentemente, as minúcias do trabalho pertencem as cartas subseqüentes, especialmente a VI e XIV. 

Ao fundo da carta está o Arco ou a Porta, que é a interpretação da letra Daleth. Esta carta em síntese pode ser denominada "Porta do Céu". Contudo devido à beleza dos símbolos, devido a sua apresentação ominiforme, podemos nos perder de sua essência. Em nenhuma outra carta é necessário desconsiderar algumas partes para se concentrar no todo, como na carta da Imperatriz.

A Imperatriz ditando as regras deste equinócio mostra que estamos diante de um período fértil, pois vão ser dias de transformações criativas e chances favoráveis de crescimento. Ela nos aconselha a prepararmos o nosso terreno, a fim de nos fartar com uma colheita próspera e abundante. É um momento favorável para começos promissores, nos quais o que importa é se expressar mais e utilizar melhor nossas capacidades. 

É um período para abrirmos aos impulsos estimulantes e fecundadores, os quais tornarão nossas vidas ainda mais ricas em todos os aspectos. Se tivermos um sonho que acalentamos ver se realizar, este é um momento em que ele pode finalmente se materializar neste plano. Confie na capacidade de crescimento da vida, e fique atento e aberto as oportunidades, pois as mudanças estão aí.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Tirada de Tarot - Solstício de Verão/2010 (hemisfério sul)

Entrada do Verão, 22 de dezembro, às 00h38 (horário de verão de Brasília). 

A lâmina que tirei para o período do solstício ao equinócio: 

Dois de Paus

Para Aleister Crowley, o Dois de Paus do seu Thoth Tarot, representa a energia do planeta Marte no signo de Áries. E como Marte rege Áries, os aspectos de ambos se tornam muito fortes na carta. 

Ela representa a energia iniciando numa corrente de força. As seis chamas no centro da carta simbolizam a influência do Sol, exaltado em Áries. Forças do ego, da energia do espírito (Marte) que esta de partida (Áries).

Crowley nomeou a carta Dois de Paus com a palavra-chave "Dominion" ou "Domínio". 

O Senhor do Domínio é uma carta importante quando consideramos a nossa liberdade pessoal de escolha, pois diz respeito ao modo em que vivemos de acordo com nossa própria vontade, e os resultados decorrentes deste.

A carta indica que estamos no comando da maneira que nossas vidas estão se desenvolvendo, e que isso acontece da maneira que havíamos previsto ou planejado. 

Mesmo com este aspecto, esta carta não descarta a ocasional surpresa agradável, ou obstáculo, mas nos promete que estamos em um estado de espírito que nos permite satisfazer as nossas necessidades e perseguir o nosso destino.

Existe harmonia e contentamento no percurso. Eventos ocorrem de uma forma ordenada e positiva. As coisas se desenrolam em torno de nós da maneira como queremos. 

É sem dúvida, a maneira da qual todo ser vivente deveria ter sua vida transcorrendo. O fato de que temos que lutar arduamente para conseguir algo, e depois mantê-lo, é mais um detalhe sobre o tipo de vida que levamos, do que qualquer outra coisa.

Quando conseguimos, centradamente e em harmonia com as forças do Universo, alcançar os nossos sonhos e objetivos, o mundo de possibilidades fica ainda mais aberto a novas conquistas.

O planejamento cuidadoso é sempre importante quando esta carta aparece, pois existe a necessidade de ordenar as coisas para que saibamos para onde estamos indo. Além de sua importância para conciliar qualquer incerteza ou confusão gerada dentro de nós. Essas ações iram assegurar que nada interfira com o fluxo da nossa própria vontade para o Universo.

O domínio aqui, é exatamente a nossa força de reger as coisas do jeito que determinamos. o Dois de Paus é a carta que tem muito a ver com a aplicação da Verdadeira Vontade.

Ao se apresentar o Senhor do Domínio nós leva a assumir a responsabilidade para o futuro que estamos fazendo por nós mesmos. E este "fazer" deve acontecer através da observação sem julgamentos ou auto-recriminação dos nossos padrões de pensamento. 

Parte do seu domínio é o que você pensa. Elimine de vez os pesamentos nefa, pois é o momento para decidir o que você deseja convidar para o seu domínio, de forma positiva, construtiva e gratificante. 

Faça de cada ação e escolha uma tentativa deliberada de se aproximar de seu objetivo. E seja feliz!...

sábado, 25 de setembro de 2010

Tirada de Tarot - Equinócio de Primavera/2010 (hemisfério sul)

Entrada da Primavera, 23 de junho às 00h09 (horário de verão de Brasília). 

A lâmina que tirei para o período do equinócio ao solstício: 

A Estrela

A Estrela do Thoth Tarot de Aleister Crowley, traz a maravilhosa Deusa Nuit, Senhora das Estrelas, no centro da carta. Seu corpo nu é azulado e curvilíneo. Seus longos cabelos fluem em movimento ondulado como seu corpo. 

Nuit ou Nut, é a Deusa do Céu na mitologia egípcia, filha de Shu e Tefnut. Irmã e esposa de Geb, a Terra.

Mãe de Osíris, Seth, Ísis e Nephtys, Nuit é descrita por Crowley como a cortesã de Hadit, mas esta revelação se deu no "Liber AL", não tendo base na mitologia egípcia tradicional.

Nuit é o espaço infinito, ao passo que Hadit é a máxima contração. No desenho da carta, Nuit aparece na forma humana. A nudez representa o despojamento, sinceridade, naturalidade e pureza. 

Ela despeja com a mão direita, a água de um pote, de cor verde-musgo claro, a altura de sua cabeça, o que representa a renovação. Já na mão esquerda, ela despeja o líquido da taça de cor verde azulado escuro, no mar de Binah.

Os líquidos possuem estrutura diversa. A taça que Nuit dispensa em Binah baseia-se em linhas retas, equivalente a antiga idéia de que o mundo é reto e uniforme, fundamento da já ultrapassada geometria euclidiana. Já a taça da mão direita apresenta um fluxo estruturado em uma rotação no sentido horário (contrariamente à Estrela de Babalon, que gira em sentido anti-horário), mas que cai de maneira desordenada, seguindo rotas irregulares e imprevistas.

Isso é uma representação do abandono das fórmulas antigas (aquelas puramente materialistas e cartesianas, que se autodestroem no arcano A Torre) para a aceitação da irregularidade e do caos que caracterizam nosso mundo em desenvolvimento.

A natureza é aparentemente caótica, mas sua harmonia é suprema e nela residem aspectos fundamentais de Deus ou de Deidades. O nosso mundo é redondo e o universo que o contém, cheio de irregularidades que se provam coerentes à luz de uma visão mais ampla.

Ao fundo da carta, pontos luminosos noturnos. Os cabelos de Nuit não têm fim (ou como diz a própria Deusa em "Liber AL"... "por causa do meu cabelo as árvores da eternidade") e cristais aos seus pés fazem a ligação com o arcano da Sacerdotisa.

A estrela de Babalon surge no canto superior esquerdo. Suas sete pontas indicam a luz no fim do túnel. E esta luz é a anunciação para o arcano seguinte, que vem a ser o túnel em si, seguido pela luz do Sol.

Babalon é a Prostituta Escarlate que monta a Besta do Apocalipse, trazendo a Nova Era e a Revolução dos Tempos.

Perto de sua cabeça, à esquerda, outra estrela de sete ponta realiza o mesmo movimento centrífogo que a Estrela de Babalon, e na mesma direção anti-horária. A sensação que a carta transmite é de uma atmosfera hipnótica, pois a perda total vivida no arcano anterior (a declaração oficial de morte iniciada no décimo terceiro arcano) larga espaço para o despojamento daqueles que, por nada terem, com nada se preocupam e, por não se preocuparem com nada, acabam por se entregar ao fluxo (a rotação das estrelas, o derramamento de líquidos e a água aos pés de Nuit). Atrás da Deusa, está o globo celeste que a representa em mais um de suas várias formas. 

O arcano representa em que estamos entregues à mercê do fluxo. Ainda assim, há tranqüilidade e movimento, pois não se trata de um arcano prostrado como "O Pendurado", por exemplo. Há a certeza de que o mal (por mais ingênuo que isso possa soar) se foi. 

A carta traz o número 17 que representa a pureza e a espiritualidade compatíveis com a vivência da materialidade.

Na astrologia, A Estrela traz o signo de Aquário, símbolo de objetividade, impessoalidade e abrangência. Que é regido por Urano, que representa a ruptura com padrões antigos e a instauração de maiores liberdades individuais, e de uma maneira mais aberta de pensar.

A letra hebraica que rege este arcano é He. Esta é outra das polêmicas mudanças operadas por Aleister Crowley no Tarot de Thoth. Para entendê-la temos que recorrer ao "Liber AL" no qual Nuit diz, por intermédio de Aiwass... "Todas as velhas letras do meu Livro estão corretas, mas Tzaddi não é a Estrela. Isto também é secreto: meu profeta o revelará aos sábios"... 

Graças a isso, Crowley viu-se na obrigação de decifrar o enigma, pondo-se a pesquisar qual seria a letra certa para o arcano "A Estrela", já que Nuit ao mesmo tempo indicava o erro e propunha o enigma. Crowley notou que Tzaddi representa o Esposo, e sua etimologia evoca Tsar, Czar, e termos que representam um rei, imagem apropriada para o Imperador. Por sua vez, a letra que era então atribuída ao arcano quatro, He significa Janela, a letra da Mãe no Tetragrammaton (Yod-He-Vau-He). 

Sendo o arcano 17 a materialização humana de Nuit, nada mais adequado, fazendo sentido portanto, a orientação dada em "Liber AL". 

O caminho cabalístico deste arcano é o Tiphareth - Chokmah. Caminho que conduz à Visão da Divindade, a manifestação da criação pura na escuridão.

A tônica deste equinócio regido pela Estrela do Thoth Tarot é a experiência de cura, renovação, entrega a outro pensamento, um novo estado de consciência. As muitas mudanças se darão, sobre tudo no plano mental. À primeira vista a Estrela pode se mostrar apenas nua e desprovida de tudo, mas na verdade ela traz um manancial de vivências acumuladas em seu interior.

Aposte em novas metas, faça planos para o futuro, mas sempre sem deixar de viver com prazer o presente. É chegado o momento para novas esperanças e visões direcionadas para este futuro. Principalmente depois de passar por um período difícil de restrições e crise. Isso diz respeito a todas as áreas, mas principalmente no âmbito dos relacionamentos. 

É a hora de tirar os velhos escombros do caminho, lavar as feridas com a água curadora, observando toda situação num posto privilegiado. Este é um equinócio também para purificação interior e crescimento espiritual. Vamos sintonizar nossa vida em harmonia com a ordem cósmica.   

terça-feira, 22 de junho de 2010

Tirada de Tarot - Solstício de Inverno/2010 (hemisfério sul)

Entrada do Inverno, 21 de junho às 08h28 (horário de Brasília). 

A lâmina que tirei para o período do solstício ao equinócio: 

Príncipe de Paus

Mais uma vez o Príncipe de Paus, do Thoth Tarot de Aleister Crowley se faz presente, regendo um período de solstício. (Clique aqui e leia mais sobre seu significado numa outra tirada)

O Príncipe de Paus monta seu carro de fogo totalmente nu como se não houvesse nada que ele precisa se esconder ou temer. Em sua jornada ele está aberto para tudo que é novo, e preparado para enfrentar o que ele encontra de forma visceral. Ele é a paixão, e ela o impulsiona a frente. 

Embora, os atributos do fogo se mostrem excessivamente fortes na carta, a segunda impressão é a de uma tempestade quente em que o ar e o fogo acham um ponto de equilíbrio, sem deixar que o ímpeto, as ações, e energias impulsivas se resfriem. 

O Príncipe de Paus quer tudo e quer agora. Sua coragem e tenacidade são infinitas.
É uma carta que indica uma resposta interna colérica, mostrando um aumento significativo nos níveis de confiança, e uma atitude totalmente positiva perante a vida. 

Se sentirmos apenas uma pequena chama, abafada por preocupações irrelevantes, e uma inércia destrutiva, está na hora de colocar fogo na fogueira, transmutar a passividade, e sentir o calor e a alegria na conquista do novo.

Supere os medos e vença os obstáculos. 

terça-feira, 23 de março de 2010

Tirada de Tarot - Equinócio de Outono/2010 (hemisfério sul)

Entrada do Outono, 20 de março às 14h31 (horário de verão de Brasília). 

A lâmina que tirei para o período do equinócio ao solstício: 

Cinco de Copas

O Cinco de Copas, do Thoth Tarot de Aleister Crowley, apresenta cinco cálices vazios e uma lagoa seca, simbolizando os sentimentos ressequidos, a desilusão, e a esterilidade. As duas flores de lótus murchas remetem ao amor envelhecido. 

Os cálices posicionados na forma de um pentagrama invertido representam o triunfo da matéria sobre o espírito. As raízes das flores de lótus em forma de borboleta são à força da transformação. O céu vermelho-encarnado representa a cólera e o perigo.

Esta carta é regida por Geburah (Kabbalah) no naipe da Água. E Geburah sendo ígnea, há uma natural antipatia. Conseqüentemente surge a idéia de distúrbio, justamente quando menos esperamos, num tempo de tranqüilidade.

A atribuição é também para Marte em Escorpião, que é a sua própria casa. Marte é a manifestação no plano mais baixo de Geburah, enquanto que Escorpião, no seu pior aspecto, sugere o poder de putrefação da água. Mas ainda assim as poderosas influências masculinas não demonstram dissolução efetiva, apenas o começo da destruição. O efeito é a frustração do prazer antecipado. 

É difícil se sentir bem quando o Cinco de Copas, o "Senhor de Desapontamento", aparece em uma leitura. Ainda mais quando essa carta rege o período de um Equinócio a um Solstício.

Isso quase sempre significa que alguém em algum lugar vai fazer nos sentir tristes com alguma coisa. E muitas vezes quando isso acontece, acabamos pegando duro com nós mesmos, e nos ferindo desnecessariamente.

Mas há uma coisa importante a considerar quando ficamos desapontados. Nos sentimos dessa forma porque tínhamos uma expectativa que não foi alcançada, seja por nós mesmos ou por terceiros. 

Portanto, tirar essa carta, muitas vezes, se vale como um conselho para analisarmos nossas expectativas... Elas não são reais?... Elas não são orientadas para as habilidades e características de quem somos?... Estamos esperando mais do que temos direito?... Estamos aguardando atitudes de pessoas que claramente não terão iniciativas para realizar?... Se a resposta a alguma destas situações for "sim", então essa é a hora mudar nossa expectativa. Só assim vamos parar com as decepções. 

Esta carta deixa claro a dificuldade em se tentar resolver problemas em uma situação emocional (pois se trata de uma carta de Copas), mas podendo ser também em outras áreas de nossas vidas, porque o desapontamento em si já é uma emoção e, portanto, pertence ao naipe de Copas. 

Uma coisa que é sempre importante ter em mente, diante de uma carta como esta. É que os sentimentos que surgem quando nos deparamos com os problemas, muitas vezes nos alertam para não entremos em outra situação de risco, que possa nos deixar desapontados novamente. 

Ficamos desapontados quando nosso parceiro ou parceira se recusa a nos oferecer o que queríamos e esperávamos tanto. Ficamos desapontados quando os amigos, cônjuges, amantes, família nos decepcionam e deixam de nos tratar da forma que acreditávamos que seria a certa. Ficamos desapontados quando algo não funciona do jeito que esperávamos. Enfim, são tantos os possíveis motivos que nos deixam desapontados, que precisaria de muitas linhas para citar todos. 

Em primeiro lugar, e mais uma vez, é importante perceber que, embora as nossas decepções muitas vezes venham de fontes externas, isso só acontece por causa de nossas crenças e expectativas internas. 

Mesmo assim, não podemos passar a vida sem expectativas. E não podemos nos proteger, mantendo expectativas negativas. Precisamos ter esperança... Precisamos acreditar na nossa força realizadora.

Então, em vez de perder as esperanças e se afundar na decepção. Avalie suas expectativas. Suporte os fatos que o levaram a esse desapontamento com calma, sem esconder seus sentimentos. Quanto mais consciente e sincero você encarar suas esperanças fracassadas, mais rápido sentirá outra vez o chão embaixo dos seus pés.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Tirada de Tarot - Solstício de Verão/2009 (hemisfério sul)

Entrada do Verão, 21 de dezembro às 15h47 (horário de verão de Brasília). 

A lâmina que tirei para o período do solstício ao equinócio: 

Príncipe de Paus

Regendo do vigésimo primeiro grau de Câncer ao vigésimo grau de Leão, o Príncipe de Paus, do Thoth Tarot de Aleister Crowley,representa a parte aérea do fogo, com sua faculdade de expansão e volatilização. Remetendo a expansão das idéias mais inspiradas, o Príncipe de Paus é dotado de grande conhecimento e contato direto com as Musas. 

Toda comunicação é operada sob a égide deste príncipe, que comanda as ações do sopro divino. Na carta, o ele se apresenta nu e usa um capacete em que saem onze raios, sendo que um deles (o maior, ao centro), indica a origem de sua inspiração e sua conecção com as forças da natureza, representada por uma cabeça de Leão alada. 

No seu peito, figura o emblema que é uma das personas iniciáticas de Aleister Crowley, o sigilum "To Mega Therion", significando o poder e a capacidade de influenciar os outros. 

O príncipe conduz a biga, fortalecida por uma roda que irradia chamas, com sua mão esquerda segurando as rédeas de um grande leão com sua juba de fogo. Isso representa a energia animal impulsiva impelindo para frente, mas também o controle destes impulsos pelas rédeas. 

E na mão direta ele traz o bastão egípcio do Poder e Energia, com cabeça de Phoenix (do Segundo Adepto), sublimando sua capacidade regeneradora. 

Sendo esta carta o "Vento do Fogo", seu objetivo e interesse estão sempre voltados às idéias e projetos intelectuais, pois esta é sua grande paixão.

A iniciativa, o entusiasmo, e o empreendimento são as palavras de ordem para este ciclo que chega como um novo e colérico impulso realizador. 

A autoconfiança fortalecida, a disposição para o trabalho, a vontade de se arriscar, o querer se tornar ainda mais dono de si, acreditando nas possibilidades que estarão disponíveis, devem ser premissas nesta etapa do caminho.


terça-feira, 22 de setembro de 2009

Tirada de Tarot - Equinócio de Primavera/2009 (hemisfério sul)

Entrada da Primavera, 22 de setembro, às 18h18 (horário de Brasília). 

A lâmina que tirei para o período do equinócio ao solstício: 

Cinco de Paus

O Cinco de Paus, do Thoth Tarot de Aleister Crowley, traz em posição vertical ao centro, um grande báculo de Mercúrio, o bastão do Adepto- Chefe (símbolo real do antigo Egito), representando o poder máximo, e a autoridade que procede dos superiores. Ele também exibe no topo, o emblema da Grande Besta (de Aleister Crowley). As flores e as asas de cor violeta nesse bastão, representam a força espiritual. 

Cruzados sob este, vemos dois bastões com cabeças de Fênix simbolizando a energia criativa e purificadora. Eles também são os bastões do Segundo, ou Adepto Maior. 

Outros dois bastões cruzados com flores de lótus, remetem a força receptiva e a fertilidade. Eles são os bastões do Terceiro, ou Adepto Menor.

A estrela ao centro com dez chamas, mostra o calor que nutre o atrito de energias contrárias. O fundo amarelo na carta, representa a busca pela Luz. O cinco anuncia simplesmente uma dificuldade, e o elemento fogo na carta remete ao desafio, ao confronto, a luta.

Associando a Cabala (Kabbalah), esta carta é Geburah em Atziluth. A influência de Geburah no Mundo do Puro Espírito. Que é regida também por Saturno em Leão. 

Leão mostra o elemento Fogo no máximo de força e equilíbrio, dando coragem e perseverança. E Saturno tende a prostrá-lo e afligi-lo. Não há limite para o alcance desta energia vulcânica, como diria Crowley.

Vejo essa carta como uma encruzilhada na vida, fazendo você decidir independente de qualquer circunstância, um caminho a se tomar, superando os possíveis obstáculos.

Vejo um período de choque de interesses, com conflitos e batalhas eminentes, vindo de ângulos diferentes e ao mesmo tempo. Porém a carta também deixa claro, que tudo deve ser enfrentado de frente, pois a vitória esta nas minhas mãos.

Se agir com justiça, e com empenho total, terei enormes chances de encontrar uma solução satisfatória. Mesmo que os obstáculos pareçam ser intransponíveis, somente mostrando meu lado combativo, encontrarei o caminho possível para se chegar lá.

Vamos a luta, e que os Deuses me guiem na batalha!... Io Pan!... 


domingo, 21 de junho de 2009

Tirada de Tarot - Solstício de Inverno/2009 (hemisfério sul)

Entrada do Inverno, 21 de junho às 02h45 (horário de Brasília). 

A lâmina que tirei para o período do solstício ao equinócio: 

O Diabo

Na carta O Diabo, do Thoth Tarot de Aleister Crowley, é retratado um grande bode ao centro, símbolo de capricórnio, com chifres espiralados em direções opostas, mas para o alto, remetendo a polaridade, e a nossa evolução, é Pan, postando-se de pé sobre o pico mais alto da Terra, mostrando toda sua força "pangenitora", criadora de tudo que existe. 

Atrás, um grande falo com os anéis de Saturno em volta, no alto, com a glande propositalmente fora da carta, se ligando diretamente ao plano divino, e cujo o saco escrotal se mostra cheio de pessoas, em alusão aos espermatozóides ansiosos pela chance da vida. 

Na cabeça de Pan um terceiro olho, na testa, simboliza sua visão espiritual aguçada. O Olho que Tudo Vê. 

Pan assiste a tudo, e de tudo participa como quer, daí seu sorriso dócil, mas cheio de segundas intenções. Ele não se choca com nada, pois para ele o Todo é Alegria. E ele é a personificação do Tudo, coroado com cachos de uvas, que delineiam seu êxtase permanente. 

O Caduceu de Mercúrio a sua frente se liga a energia da Terra, lhe trazendo ainda mais força ao seu poder criador. As formas ao fundo da carta são a expressão plástica do delírio, da loucura, do êxtase, da dança dos hormônios, e da magia do sexo.

Esta é uma carta que traz impulso, expansão, ambição, crescimento. A matéria como fonte de prazer e degustação, a benção da vida como prêmio e não como fardo. O Diabo aqui, é entendido como força da natureza, não como algo malígno e destrutivo.

Para este solstício de inverno, o crescimento e o desenvolvimento vão estar presentes em todos os planos. O símbolo da evolulção espiritual está em Pan, com seus três olhos e seus dois chifres espirais apontando para o alto. 

No lado financeiro, a carta representa o uso pleno da matéria de forma satisfatória. No plano sentimental e sexual, a carta simplesmente fala por si. 

De uma forma geral, neste arcano a conquista vem num impulso único e decisivo, como fruto de um longo caminho percorrido até aqui.